- Petrobras defende a homologação do Leilão de Reserva de Capacidade 2026 para evitar apagões; Aneel tem até 1º para responder ao TCU.
- No leilão, a Petrobras contratou nove usinas térmicas a gás natural para entradas em 2026, 2027, 2028 e 2031, totalizando 13 usinas com as já em operação.
- A medida busca ampliar a capacidade térmica para atender picos de potência, conforme o Plano de Operação Energética (PEN) da EPE, que previa aumentar a oferta térmica nos próximos quatro a cinco anos.
- Estudo da EPE aponta risco de falta de potência em 2026 em 30% dos cenários e até 90% em 2029 se novas usinas não entrarem em operação.
- Sobre o preço, o executivo afirma que os valores iniciais não viabilizariam o leilão; aponta pressões globais de custos e rejeita importação de energia da Argentina e usinas merchant, destacando baterias apenas como complemento.
A Petrobras defendeu o Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) 2026 diante do risco de apagões elétricos no país. Em entrevista ao Estadão/Broadcast, o gerente executivo de Gás e Energia da estatal destacou a necessidade de ampliar a capacidade térmica para atender aos picos de demanda no sistema brasileiro. A Aneel tem prazo até esta segunda-feira para esclarecer questionamentos do TCU sobre o certame.
O LRCAP, realizado em março, ainda não teve todos os contratos assinados, apesar de parte da homologação já ter ocorrido. O temor é que liminares na Justiça atrapalhem o andamento. A Petrobras contratou nove usinas de gás natural no leilão, com entrada escalonada entre 2026 e 2031, elevando o total de usinas do grupo para 13 quando somadas às unidades já operacionais.
Contexto e defesa do certame
Segundo o executivo, a expansão da oferta térmica atende a uma necessidade objetiva do sistema elétrico, especialmente nos horários de pico. O Plano de Operação Energética (PEN) da EPE, divulgado no ano anterior, previa ampliar a participação de térmicas por quatro a cinco anos, com recontratação de parques existentes e novas plantas.
No leilão, foram contratados cerca de 19 GW, sendo 15 GW de térmicas a gás, adicionais de carvão, óleo e hidrelétricas com início de operação a partir de agosto de 2026. O estudo da EPE simulou cenários sem novas usinas e com térmicas não contratadas, apontando déficits de potência em até 90% dos cenários em 2029, caso não haja novas entradas.
Custos, viabilidade e perspectivas
A Petrobras aproveita para esclarecer que a viabilidade financeira do LRCAP depende de preços iniciais que cubram custos de equipamentos e manutenção, refletindo a pressão global de custo com novas usinas. Segundo Tupiassu, sem reajustes, haveria baixa oferta potencial e dificuldades para a própria Petrobras ofertar seus lances.
A estratégia para 2026-2029 não vislumbra soluções substitutas em escala necessária. Importação de energia da Argentina não é vista como opção confiável, e térmicas “merchant” não têm garantia de operação. Baterias são consideradas complementares, sem substituir plenamente as térmicas contratadas.
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