- Grandes bancos e gestoras revisaram as projeções de juros, estimando a Selic entre 13,5% e 14% ao fim de 2026; Itaú aponta 13,5%, enquanto MAG Investimentos e Banco Pine projetam patamares mais altos.
- No Focus, a mediana permanece em 13,25% para o juro terminal, recuando da leitura de 13% divulgada quatro semanas antes.
- Itaú afirma que não há espaço para cortes mais acelerados diante da inflação e da atividade mais resiliente; inflação para este ano passa de 5,2% para 5,4% e o PIB de 1,9% para 2,1%.
- Medidas fiscais e de crédito recentes, como o Desenrola, além de programas de financiamento, contribuem para a revisita das previsões, com o desemprego projetado em 5,7% em 2026.
- Banco Pine sustenta que a reprecificação global, impulsionada por inflação mais persistente e deterioração fiscal, eleva a Selic a 14% no fim de 2026, com IPCA de 2026 em 5,6%; projeção para 2027 aponta 12,5%.
A revisão de cenário feita por grandes bancos e gestoras mudou o tom otimista sobre o ciclo de afrouxamento monetário. Em meio ao conflito no Oriente Médio e à inflação no Brasil, Itaú, Banco Pine e MAG Investimentos passaram a projetar a Selic entre 13,5% e 14% no fim de 2026. Hoje, a taxa está em 14,5%.
A mudança de apostas refletiu dados mais fortes de inflação e atividade econômica do que o esperado. O Focus manteve a Selic terminal em 13,25% e, há quatro semanas, apontava 13%. As novas projeções demonstram um ciclo de cortes menos agressivo do que se desenhava no início do ano.
Projeções por instituição
Para o Itaú, não há espaço para aceleração nos cortes. O banco aponta inflação mais resiliente e atividade econômica mais robusta, elevando a inflação prevista para o ano de 5,2% para 5,4% e o PIB de 1,9% para 2,1%. O desemprego permanece estimado em 5,7% em 2026.
O Itaú também cita impactos indiretos da alta de petróleo e de medidas fiscais recentes, como o Desenrola. Segundo o relatório, o cenário permanece com o ciclo de cortes limitado. A instituição mantém a visão de 13,5% para a Selic no fim de 2026 e expectativa de 12,5% para 2027, caso haja continuidade da política de flexibilização.
Perspectiva do Pine e impactos globais
O Banco Pine revisou a taxa Selic para 14% ao fim de 2026. A justificativa envolve a reprecificação global de juros, com inflação mais persistente e deterioração fiscal em várias economias, incluindo grandes mercados. Cristiano Oliveira, diretor de pesquisa econômica, afirma que fatores já eram visíveis antes da guerra e que a alta de prêmios de risco sustenta o movimento.
Além disso, o Pine elevou a previsão do IPCA para 2026 a 5,6%. O analista destaca que, mesmo com possível arrefecimento de tensões geopolíticas, a tendência de juros reais mais elevados tende a persistir por mais tempo no Brasil.
MAG Investimentos e continuidade do cenário
A MAG Investimentos também revisou para cima as projeções da Selic, alinhando-se à tendência de menos espaço para cortes até o fim de 2026. A instituição aponta que o ambiente externo e interno sustenta uma trajetória de juros mais elevada, com reflexos sobre as expectativas de política monetária doméstica.
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