- A região da baía de San Francisco vive uma farra de IA, com salários elevados para talentos de ponta e startups sob pressão de sucesso, gerando ansiedade de ficar para trás se a IA automatizar trabalhos de escritório.
- Economistas divergem se a IA destruirá ou criará empregos, mas o tom predominante é de pessimismo sobre a distribuição de ganhos, com risco de criação de uma classe permanente de pobres.
- Países que não entram na cadeia de suprimentos da IA podem perder empregos em massa e receita fiscal, comprometendo políticas de renda básica ou proteção social.
- África, América Latina e partes da Europa enfrentam desafios de infraestrutura, financiamento de data centers e instituições políticas para distribuir ganhos, apesar de potenciais ganhos com minerais usados na IA.
- Índia, China e Estados Unidos dominam cenários diferentes: a Índia pode sofrer com a terceirização, a China já é potência em IA, e a Europa tem poucas histórias de sucesso além da ASML; há uma necessidade maior de distribuir benefícios da IA para evitar rupturas sociais.
O avanço da inteligência artificial gera tensão em várias regiões do mundo, com temores de deslocamento massivo de empregos e queda de receitas tributárias. Países que ainda não integraram plenamente a cadeia de AI podem enfrentar impactos econômicos e sociais profundos.
Especialistas destacam que a globalização da IA não se restringe aos Estados Unidos. Enquanto a Bay Area vive uma corrida por talentos com pacotes milionários, outras regiões enfrentam desafios para acompanhar o ritmo, sobretudo na criação de infraestrutura e na captação de investimentos.
Há risco de que países menos conectados às cadeias de IA enfrentem perda de empregos e queda de arrecadação, dificultando políticas de proteção social. Economias emergentes ainda dependem de recursos naturais e de investimentos estáveis para financiar transições tecnológicas.
Distribuição de impactos por regiões
Alguns países africanos e latino-americanos podem ganhar com a demanda por minerais usados em hardware de IA, como cobre e terras raras. No entanto, a rentabilidade depende de instituições fortes que distribuam ganhos de forma ampla.
Na Ásia, Coreia do Sul e Japão vêm se consolidando como fornecedores de componentes-chave, enquanto a Europa registra casos mais restritos de sucesso em AI, com exceções como a ASML, na Holanda. O panorama mundial permanece desigual.
Riscos e oportunidades na Índia e na China
A Índia enfrenta o desafio de proteger empregos de nível médio na área de serviços, à medida que a IA substitui funções. Por outro lado, o país detém talento criativo e técnico que pode impulsionar ganhos globais, caso haja políticas eficazes de aproveitamento interno.
A China já é potência em IA, mas deverá lidar com impactos na estabilidade social caso a proteção social não evolua junto com a automação. Mesmo assim, vencer a corrida tecnológica pode ampliar ganhos, segundo análises.
Perspectiva global e do governo americano
Nos EUA, o uso mais amplo da IA pode exigir maior distribuição de benefícios para evitar rupturas sociais. A adaptação passa por diminuir desigualdades e ampliar a base de recebimento de rendimentos gerados pela tecnologia, sem depender apenas de primeiros movementos.
O texto aponta que o padrão de desenvolvimento tecnológico pode ampliar a distância entre vencedores e perdedores, com consequências políticas e econômicas significativas. O artigo também discute a necessidade de redes de proteção e novas políticas públicas.
Fonte: Kenneth Rogoff, professor de economia e políticas públicas de Harvard, ex-economista-chefe do FMI entre 2001 e 2003.
Entre na conversa da comunidade