- A Casa Branca afirma que acordos setoriais do Brasil com México e Índia concedem tratamento tarifário preferencial, prejudicando as exportações dos EUA em setores como agrícolas, veículos, autopeças, minerais, químicos e máquinas.
- A investigação aponta possibilidade de tarifas de até 25% sobre produtos nacionais e acusa o Brasil de reduzir tarifas para México e Índia em relação à Nação Mais Favorecida, afetando o acesso de produtos norte‑americanos.
- A cooperação econômica entre Brasil e EUA caiu pela metade entre 1998 e 2023, com participação dos EUA na relação comercial passando de 22% para 11%, enquanto México cresceu de 1,7% para 3,3% e a Índia de 3,2% para 6,7% (2004 a 2024).
- No setor automotivo, o Brasil importou cerca de US$ 1,8 bilhão em veículos e autopeças do México e US$ 1 bilhão dos EUA; a maior parte das importações mexicanas entrou com isenção tarifária, enquanto as norte‑americanas enfrentaram alíquotas de NMF entre 14% e 35%.
- Washington classifica os acordos com México e Índia como “irrazoáveis ou discriminatórios”, argumentando que favorecem aliados competitivos do Brasil e podem incentivar a deslocalização de produção dos EUA.
A Casa Branca sustenta que as relações comerciais entre Brasil, México e Índia afetam negativamente os Estados Unidos. O recorte da investigação que pode abrir tarifas de 25% aponta acordos setoriais com México e Índia, envolvendo setores como agricultura, veículos e máquinas.
Segundo o relatório, o Brasil concede tratamento tarifário preferencial a centenas de produtos mexicanos e indianos, o que reduz o custo para esses itens em vários setores. A prática é apresentada como prejudicial ao acesso de exportações americanas ao mercado brasileiro.
Impactos na relação Brasil-EUA
A investigação indica que as cobranças para México e Índia ficam entre 10% e 100% menores do que a taxa de Nação Mais Favorecida aplicada aos EUA. O entendimento é que tais acordos ferem a concorrência para produtos dos EUA no Brasil.
A cooperação comercial entre Brasil e EUA teria recuado pela metade de 1998 a 2023. A participação de produtos norte-americanos caiu de 22% para 11%, enquanto mexicanos subiram de 1,7% para 3,3% e indianos, de 3,2% para 6,7% entre 2004 e 2024.
A análise ressalta que mudanças de cenário de mercado também influenciam números, mas sustenta que acordos preferenciais foram um fator chave na erosão da participação americana em setores estratégicos.
Perspectivas no setor automotivo
O relatório aponta que o Brasil importou cerca de US$ 1,8 bilhão em veículos automotores e autopeças do México, frente a US$ 1 bilhão dos EUA. A crítica é duplamente preocupante, já que a produção norte-americana do segmento é superior à mexicana.
Além disso, quase todas as importações brasileiras de veículos do México foram isentas de tarifas, enquanto as do EUA enfrentam alíquotas MFN entre 14% e 35%, segundo o estudo da Seção 301 dos EUA.
A documentação classifica parte das medidas brasileiras como “irrazonáveis ou discriminatórias”, afirmando que as tarifas favorecem países com os quais o Brasil tem acordos e criam incentivos para deslocalizar produção dos EUA para México ou Índia.
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