- Painel no TokenNation 2026 alertou que a transparência das blockchains públicas pode expor dados de usuários, empresas e investidores, elevando riscos.
- Rocelo Lopes afirmou que compartilhar um endereço onchain revela muito sobre a carteira e movimentações, ilustrando com a comparação ao Pix.
- Privacidade não é anonimato: ferramentas como as viewing keys da Zcash permitem demonstrar informações específicas sem abrir controle total dos ativos.
- Regulação avança com as prestadoras de serviços de ativos virtuais sujeitas à Lei Complementar 105, exigindo equilíbrio entre rastreabilidade e proteção de dados, com possível KYC e necessidade de anonimizar dados transacionais.
- Autocustódia, controle de chaves e maior clareza regulatória são vistos como caminhos para ampliar o uso cotidiano de cripto, incluindo pagamentos e stablecoins, com menor estigma.
O painel sobre privacidade na indústria onchain ocorreu durante o TokenNation 2026, reunindo especialistas para debater rastreabilidade, proteção de dados, regulação, autocustódia e uso cotidiano de criptomoedas. O tema central foi a transparência das blockchains públicas e seus riscos.
Rocelo Lopes, da Rezolve AI, afirmou que a privacidade em cripto é tratada de forma superficial por parte do mercado. Segundo ele, o compartilhamento de um endereço onchain pode expor saldo e histórico de movimentação, facilitando análises.
O executivo comparou a exposição de endereços a uma chave Pix pública, ressaltando que não há diferença prática entre as informações reveladas. Contou ainda um caso pessoal de 2017 envolvendo um sequestro e pagamento em Bitcoin para ilustrar impactos fora do ambiente digital.
Privacidade não é anonimato
Amanda de Camargo, da Zcash Brasil, defendeu que o tema precisa ser melhor comunicado ao público. Ela destacou que a população já está exposta em redes sociais, pagamentos e dados governamentais, e que privacidade deve ser vista como prática cotidiana, não como suspeita.
Daryl Akamine, da Ledger Brasil, reforçou que privacidade envolve o controle das informações pelo usuário. Ele ressaltou que a automação na rastreabilidade, com exploradores de blocos e IA, tende a aumentar a identificação de padrões, exigindo salvaguardas como a autocustódia.
Regulação e autocustódia
Thiago Amaral dos Santos, da Barcellos Tucunduva Advogados, destacou a entrada de prestadores de serviços de ativos virtuais no perímetro regulado. Ele citou a Lei Complementar 105, que impõe proteção de dados e sigilo transacional, com necessidade de anonimizar informações para atender à lei.
Ainda conforme o advogado, a regulação pode gerar confiança e estimular o uso de cripto, desde que haja equilíbrio entre rastreabilidade e proteção de dados. Rocelo Lopes defendeu identificação em pagamentos para manter o ecossistema dentro das regras, sem compartilhar chaves privadas.
Rocelo acrescentou que a proteção da chave privada é essencial, mesmo com identificação. Ele enfatizou entender a origem e o destino dos fundos, sem abrir mão do controle da chave.
O painel também discutiu o avanço de pagamentos com cripto e stablecoins no Brasil. A ideia é ampliar usos diários, como pagar uma pizza, sem associar automaticamente cripto a atividades ilícitas.
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