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Etanol impulsiona safra: quase 60% da cana destinada ao biocombustível

Etanol domina safra 2026/27: quase sessenta por cento da cana vai para o biocombustível, elevando demanda e tornando-o mais competitivo frente à gasolina

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  • A safra 2026/27 está destinando quase sessenta por cento da cana para etanol, com o mix alcooleiro total de 61,84% no ciclo até agora.
  • A moagem no Centro-Sul atingiu 60,46 milhões de toneladas até 1º de maio, incluindo 40,06 milhões na segunda quinzena de abril.
  • O ATR (açúcar recuperável) acumulado chegou a 112,58 kg por tonelada, avançando 5,4% ante o ano anterior.
  • As vendas de etanol cresceram: 2,74 bilhões de litros comercializados pelas usinas do Centro-Sul em abril, com o hidratado representando 24,6% do consumo da frota leve no país. Em São Paulo, a participação atingiu 44%.
  • O etanol de milho já corresponde a 19% da produção do biocombustível, com mais de 804 milhões de litros na safra, além de avanços do RenovaBio e CBios, que atingiram 16,93 milhões até 25 de maio.

A safra 2026/27 do setor sucroenergético teve início no Centro-Sul, com moagem de cana em ritmo acelerado. O avanço ocorreu após a recuperação da atividade, impulsionada pela maior destinação da cana ao etanol e pela competitividade do biocombustível frente à gasolina. Dados são da UNICA.

Na segunda quinzena de abril, a moagem atingiu 40,06 milhões de toneladas, mais que o dobro do mesmo período da safra anterior. Até 1º de maio, o processamento soma 60,46 milhões de toneladas, sinalizando recuperação após a seca da temporada passada.

Além da elevação do volume processado, houve melhoria na qualidade da matéria-prima. O ATR acumulado ficou em 112,58 kg por tonelada, alta de 5,4% ante o ano anterior, o que tende a elevar a rentabilidade das usinas na produção de açúcar e etanol.

Mudança de mix de produção

Caiu a participação da cana destinada para açúcar e ganharam peso os lotes para etanol. Na segunda quinzena de abril, quase 60% da matéria-prima foi convertida em etanol, ante 54,3% no mesmo período de 2025. No acumulado do ciclo, o mix alcooleiro chegou a 61,84%.

Essa mudança reflete fatores econômicos: o etanol tornou-se mais competitivo nas bombas. A ANP aponta relação de preços entre etanol hidratado e gasolina em 64,5% na média nacional, 61,7% em São Paulo, patamar favorável ao consumo do biocombustível.

Demanda e consumo

Em abril, as vendas de etanol no Centro-Sul somaram 2,74 bilhões de litros. O volume vendido por dia útil no mercado doméstico cresceu acima de 15% em relação a março, impulsionado principalmente pelo hidratado, cuja demanda tende a acelerar com repasses de queda de preços às bombas.

O etanol de milho também ganha espaço. Na segunda quinzena de abril, o milho respondeu por cerca de 19% do etanol produzido. No acumulado da safra, já são mais de 804 milhões de litros, com avanço superior a 12% frente ao ano anterior.

Implicações estratégicas

A produção reforça o papel do etanol na segurança energética e na descarbonização do sistema de transportes. Na safra 2025/26, o consumo evitou 50 milhões de toneladas de CO2 e gerou economia de aproximadamente R$ 4 bilhões para veículos flex.

Panorama ambiental e metas

O RenovaBio avança: até 25 de maio, produtores emitiram 16,93 milhões de CBios. Considerando créditos disponíveis, o setor já atingiu cerca de 66% do volume necessário para cumprir metas de 2026.

O cenário atual indica que a safra 2026/27 começa com competitividade de preços, demanda doméstica aquecida e expansão do etanol de milho. O etanol consolida-se como combustível renovável, ativo estratégico para a matriz energética e geração de valor no agronegócio brasileiro.

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