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Fraudes digitais são sistêmicas e vão além do setor bancário

Especialistas dizem que fraudes digitais são sistêmicas e exigem cooperação público-privada, educação digital e controle de contas laranjas

Especialistas debatem fraudes digitais no XIV Fórum de Lisboa: "vão alem dos bancos".
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  • Fraudes digitais são sistêmicas: começam em redes sociais, mensagens ou sites falsos e chegam ao sistema financeiro na etapa final.
  • Combate requer atuação coordenada entre setor público, bancos, empresas de tecnologia, plataformas digitais, reguladores, polícia e Judiciário.
  • Quase 14 milhões de tentativas de fraude foram catalogadas no ano passado, com cerca de 60% envolvendo o sistema financeiro; 58% dos consumidores já desistiram de compras on‑line por medo de golpe.
  • Não é culpa do Pix: o sistema é robusto, mas a criminalidade migra para o digital; o uso de inteligência artificial pode ampliar golpes por meio de engenharia social e de emulação de identidades.
  • Medidas propostas: responsabilização de contas laranjas, compartilhamento de dados, educação digital, fortalecimento de órgãos reguladores e integração entre agentes públicos e privados; BC emitiu 13 instruções normativas nos últimos 12 meses.

Durante o XIV Fórum de Lisboa, especialistas debateram que fraudes digitais são sistêmicas e vão além do setor bancário. O painel destacou que golpes começam em redes sociais, mensagens ou sites falsos e chegam ao sistema financeiro apenas na etapa final.

O debate reuniu Lee Waisler, Délber Lage, Fernanda Laranja, Bruno Duque, Marco Antonio Rodrigues e Felipe Scudeler Salto. Eles defenderam que respostas isoladas não bastam; é preciso compartilhamento de dados, educação digital e atuação conjunta entre setor público e privado.

Fraudes caminham pela jornada digital

Segundo os especialistas, o padrão mudou: golpes podem ocorrer antes de qualquer transação financeira, com coleta de dados, perfis falsos, links maliciosos e aproximação por mensagens ou ligações. Daí surgem induções para autorizar acessos, instalar apps ou transferir valores.

Para Délber Lage, CEO da SalaryFits, o ambiente digital replica o ambiente social, ampliando o número de agentes envolvidos na prevenção. Uma fraude pode envolver redes sociais, mensagens, fintechs, e-commerces e reguladores, tornando necessária uma visão integrada do problema.

Técnicas, IA e vulnerabilidade

Os especialistas destacaram o avanço da inteligência artificial, que facilita emular identidades, gerar vídeos falsos e simular vozes. O risco é tornar golpes mais convincentes e difíceis de detectar, aumentando a vulnerabilidade do usuário.

Dados da Serasa apresentados por Lage indicam cerca de 14 milhões de tentativas de fraudes digitais no último ano, com ~60% vinculadas ao sistema financeiro em algum momento da jornada. A pesquisa aponta ainda que 58% dos entrevistados já desistiram de uma compra online por fraude.

Educação, contas laranjas e cooperação

O grupo enfatizou a necessidade de distinguir fraudes técnicas de golpes de engenharia social e ataques à infraestrutura do sistema de pagamentos. Waisler afirmou que a engenharia social é o principal desafio, pois a transação pode parecer legítima.

A responsabilização de contas laranjas foi apontada como etapa essencial para interromper o fluxo financeiro. Medidas passam por identificação rigorosa, monitoramento de comportamento transacional e compartilhamento de informações entre instituições.

Pix, regulação e institucionalidade

Sobre o Pix, os debatedores defenderam que o sistema é bem-sucedido, mas amplamente utilizado facilita golpes. Fernanda Laranja ressaltou que o crime acompanha mudanças sociais, não a estrutura do Pix, e que a responsabilidade não pode recair apenas sobre o sistema financeiro.

O painel também discutiu a necessidade de fortalecer órgãos reguladores e a estrutura orçamentária. Salto comparou a CVM brasileira à SEC americana, defendendo maior autonomia financeira e valorização de servidores para acompanhar transformações tecnológicas.

Cooperação e educação como pilares

A atuação conjunta entre poder público e setor privado foi apontada como condição indispensável. Iniciativas como a Aliança Nacional de Combate às Fraudes Bancárias, compartilhamento de dados e programas de proteção foram citadas como exemplos de articulação eficaz.

Especialistas destacaram ainda a importância da educação digital e financeira para que o usuário identifique sinais de alerta e evite golpes, sem abrir mão da responsabilidade das instituições.

Conclusão operacional do tema

Ao final, ficou claro que fraudes digitais exigem resposta sistêmica: prevenção, detecção e repressão precisam acompanhar toda a jornada do golpe, desde o primeiro contato até a movimentação final dos valores. A integração entre setores é vista como essencial para sustentar inovação com segurança.

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