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História da indústria brasileira e os caminhos da industrialização

Seminário na USP discute vertentes da industrialização brasileira e o legado de Wilson Suzigan para a historiografia econômica

Guilherme Grandi – Foto: FEA-USP
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  • Seminário Hermes & Clio, ligado à USP, em 27 de maio, homenageou Wilson Suzigan (1942‑2026) e discutiu a indústria brasileira e seu desenvolvimento.
  • Expositoram João Furtado e Flávio Saes, ambos próximos a Suzigan, ligados à Escola Politécnica e à Faculdade de Economia da USP.
  • Suzigan é autor de Indústria brasileira: origem e desenvolvimento (1984), livro-chave que reúne as principais leituras sobre a industrialização brasileira e identifica quatro vertentes interpretativas.
  • As quatro vertentes são: teoria dos choques adversos; industrialização liderada pelas exportações; capitalismo tardio; e industrialização via políticas do governo.
  • Suzigan destaca que o Brasil migrou de uma economia mercantil escravista para uma economia capitalista exportadora, com ênfase na transição da demanda externa para investimento industrial interno e na contribuição de fontes primárias estrangeiras para a trajetória industrial.

No último 27 de maio, o grupo Hermes & Clio, ligado ao Departamento de Economia da USP, realizou um seminário sobre indústria e desenvolvimento no Brasil. A homenagem foi a Wilson Suzigan (1942-2026), falecido em 10 de abril, cuja obra moldou o debate sobre industrialização no país. Participaram dois professores da USP próximos ao homenageado: João Furtado e Flávio Saes.

O seminário destacou a trajetória intelectual de Suzigan, autor de uma obra fundamental sobre o tema. Entre os participantes, Furtado é uma das principais referências do próprio Suzigan na USP, enquanto Saes manteve longa convivência, especialmente pela atuação conjunta na ABPHE, fundada em 1993.

Contribuições de Suzigan

O livro Indústria brasileira: origem e desenvolvimento, escrito a partir da tese de doutorado defendida em 1984 na Universidade de Londres, organiza a historiografia econômica em quatro vertentes. A leitura analisa choques adversos, industrialização exportadora, capitalismo tardio e políticas do governo.

Para Suzigan, o debate envolve a relação entre choques externos e o surgimento de indústrias no Brasil, bem como a influência da Cepal na interpretação do papel da demanda externa no crescimento. O estudo também discute crises agrícolas e políticas públicas como motores da industrialização.

Ao abordar a história setorial, Suzigan descreve a evolução da indústria brasileira desde itens básicos até bens de produção, com ênfase no papel de maquinários importados. A obra utiliza fontes estrangeiras, principalmente britânicas e norte-americanas, para reconstituir a gênese do desenvolvimento industrial no país.

A pesquisa destaca a transição econômica brasileira de uma base mercantil escravista para um sistema capitalista exportador. A contribuição de Suzigan é vista como influência duradoura para estudos sobre indústria, inovação e política industrial no Brasil.

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