- O transporte rodoviário brasileiro depende de diesel para quase toda a frota, com expectativa de que o diesel ainda responda por cerca de noventa por cento da matriz de transporte pesado em 2032.
- Montadoras, distribuidoras e transportadoras passaram a testar biometano, eletrificação, hidrogênio e combustíveis renováveis para reduzir custos e a dependência do petróleo.
- O setor gera impactos à saúde pública: entre 2013 e 2023, o SUS gastou vinte e quatro bilhões e meio de reais em internações causadas pela poluição do ar; as emissões de NOx relacionadas a veículos pesados são altas em regiões como São Paulo e Salvador.
- O biometano tem avançado, especialmente em frotas próprias e rotas fixas, com produção de aproximadamente mil caminhões nos últimos cinco anos; ainda há gargalo de infraestrutura pública de abastecimento.
- A transição é gradual: até sessenta consideração de cenários aponta que caminhões elétricos devem representar cerca de cinco por cento da frota, gás natural/biometano quatro vírgula quatro por cento, e hidrogênio menos de um por cento; o diesel permanecerá dominante por enquanto.
O diesel continua a mover a maior parte da frota de caminhões e ônibus no Brasil, mas o peso do combustível está acelerando a busca por alternativas. O setor aponta volatilidade de preços, tensões geopolíticas e volutas de emissões como fatores para testar biometano, eletrificação e hidrogênio.
Dados da EPE indicam que transportes respondem por 47% das emissões de gases de efeito estufa do país, mantendo o diesel como combustível dominante para locomotiva pesada. Estudo da PSR, para a AutoData, aponta que 99% da frota é movida a diesel hoje, com projeção de 90% da matriz até 2032.
A transição envolve custos humanos e ambientais ainda pouco discutidos, segundo estudos citados. Doenças associadas à poluição afetam saúde pública e resultam em gastos significativos, com impactos desiguais que atingem mais áreas de baixa renda.
Mudanças de rota energética
O setor aposta em diversas alternativas para reduzir dependência do petróleo. Biodiesel e HVO ganham espaço, o biometano avança em frotas próprias e rotas fixas, a eletrificação progride em projetos urbanos e o hidrogênio surge como opção para operações de longa distância.
Biometano cresce com produção a partir de resíduos e biomassa. Indústria aponta vantagens de abastecimento rápido, com recargas em cerca de oito minutos e autonomia entre 500 e 700 km, segundo representantes do setor.
Casos e gargalos operacionais
A Jomed Transportes substituiu parte da frota por caminhões a GNV e biometano, registrando queda de 34,9% em CO₂ e economia de 19,4% no combustível, segundo PLVB. A Atvos fecha parceria com a Scania para ampliar uso de biometano, com planta própria em Mato Grosso do Sul.
Entretanto, a infraestrutura pública ainda é inviável para expansão ampla. Dados da ANP mostram promoção de polos privados de biometano, com 17 polos autorizados em 2025 e capacidade diária de 1,2 milhão de m³, muito acima da rede pública.
Eletrificação e hidrogênio como apostas
Projetos-piloto com caminhões elétricos já ocorrem em São Paulo e Grande São Paulo, com autonomia média em torno de 250 km por carga. Modelos com maior alcance estão em desenvolvimento, mas a custo elevado e com recargas ainda limitadas.
O hidrogênio pode transportar cargas expressivas com autonomia elevada, porém enfrenta custos de infraestrutura e rede de abastecimento incipiente. Em 2050, a modelagem paulista aponta redução de 27% das emissões com hidrogênio, inferior à eletrificação.
Panorama regulatório e perspectiva futura
Mercados europeus e norte-americanos avançam com metas claras de zero emissão para caminhões, enquanto o Brasil ainda não adota mandatos nacionais para veículos pesados. O ritmo depende das decisões do setor e de políticas públicas.
Projeções indicam que, até 2032, o diesel ainda responderá por grande parcela da frota, enquanto elétricos, gás natural e biometano devem ganhar participação moderada. O hidrogênio tende a ficar abaixo de 1% do mercado no curto prazo.
Observações finais
O diesel deve permanecer dominante nos próximos anos, a não ser que políticas públicas acelerem a transição. A escolha de prioridades tecnológicas pode influenciar custos de saúde, emissões e uso de terras para alimento. As empresas continuam testando soluções para equilibrar custo, autonomia e infraestrutura.
Entre na conversa da comunidade