- Saída de estrangeiros e revisão de juros nos EUA e no Brasil deixaram ações negociadas com múltiplos de preço sobre lucro (P/L) em níveis baixos, com destaque para construção civil, educação e varejo de vestuário, entre quatro e seis vezes P/L.
- Empresas de qualidade nesses setores, como Cyrela, Direcional, Tenda e Moura Dubeux, aparecem entre quatro e seis vezes P/L, gerando questionamentos sobre a sustentação dos lucros futuros; no setor educacional, múltiplos variam entre cinco e sete vezes, e no varejo de vestuário há nomes como C&A, Renner e Track&Field abaixo da média histórica.
- O BTG Pactual mantém visão construtiva para ações brasileiras, destacando que a bolsa hoje fica abaixo de nove vezes P/L, ou pouco acima de diez vezes se excluir Petrobras e Vale; recursos globais podem retornar ao Brasil, segundo o banco.
- Para gestores, o Brasil oferece liquidez, ativos reais e empresas relativamente baratas; há expectativa de retorno de investidores estrangeiros ao longo do tempo, com compras potenciais em bancos, Localiza e varejo/ construção civil de baixa renda, servindo como proteção em cenários políticos.
- Dados da XP apontam rotação de fundos de ações para valorização e maior risco ativo, com maior exposição a setores cíclicos e busca por oportunidades fora dos líderes recentes, reforçando a percepção de valor em ações que ficaram para trás na correção.
A bolsa brasileira voltou a soar mais barata após uma sequência de saídas de investidores estrangeiros e a revisão das expectativas para juros nos EUA e no Brasil. Compartimentos de construção civil, educação e varejo de vestuário passaram a negociar entre 4 e 7 vezes o preço sobre lucro, segundo analistas.
Perguntas sobre o que ocorreu ficam claras: houve queda de valorizações vistas como elétricas pela última década, impulsionando ganhos de setores de qualidade com pouca dívida. O movimento gerou discurso de que parte da reprecificação pode ter sido excessiva, abrindo espaço para oportunidades.
Entre os nomes citados estão Cyrela, Direcional, Tenda e Moura Dubeux, com múltiplos entre 4 e 6 vezes P/L. No setor de educação, as margens costumam ficar entre 5 e 7 vezes, enquanto no varejo de vestuário há C&A, Renner e Track&Field operando abaixo de médias históricas.
Para o BTG Pactual, a avaliação segue positiva, mesmo com saída de estrangeiros. O chefe de pesquisa aponta que os fundamentos brasileiros não mudaram e o fluxo tende a retornar com o tempo. Em maio, houve retirada de 14,2 bilhões de reais em ações, segundo dados da B3.
Carlos Sequeira, estrategista do BTG, afirma que não é necessário muito dinheiro para fazer diferença no mercado local. Ele observa que o desempenho recente já levou o índice a um desvio-padrão abaixo da média histórica, mesmo com juros reais em alta.
Christian Keleti, CEO da AlphaKey, destaca que o Brasil reúne liquidez, ativos reais e ações baratas. Segundo ele, há demanda de estrangeiros por bancos, Localiza e alguns nomes do varejo ou construção civil de renda baixa, que podem atuar como proteção.
Keleti também aponta que o cenário político pode influenciar a percepção de risco, mas que empresas com pouca dívida e potencial de lucro atraem investidores. O otimismo do gestor envolve uma retomada gradual de aportes externos.
A XP mostra movimento semelhante entre gestores locais. Em levantamento recente, fundos de ações passaram a aumentar exposição a empresas de valor e elevaram o risco ativo, sinalizando busca por oportunidades além dos papéis que já lideraram a recuperação.
Segundo a corretora, nos últimos 30 dias houve rotação para setores cíclicos e redução parcial de defensivos. A leitura é de maior disposição para explorar ações que ficaram para trás na correção, mas que apresentam múltiplos atrativos.
No portfólio do BTG, a exposição a petróleo funciona como proteção, com Petrobras representando cerca de 15% da carteira. A instituição mantém visão de negócios domésticos e avalia ampliar exposição a ativos que recuaram após a correção.
Os gestores destacam ainda que o prêmio das NTN-Bs voltou a aumentar conforme longos juros no Brasil subiram menos que nos EUA. O cenário sugere espaço para ganhos em defensivos com retorno atrativo, caso o ciclo de juros moderado permaneça.
Em síntese, o mercado vê valor relativo em ativos domésticos
com perspectivas de retorno ante a possibilidade de fluxos estrangeiros retornarem. A combinação de liquidez, ativos reais e descontos de longo prazo é citada como fundamento para repetidas entradas de capital no longo prazo.
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