- O diesel ainda domina o transporte pesado no Brasil, respondendo por quase 99% da frota de caminhões e ônibus e mantendo-se como principal combustível em 2032, segundo projeções da PSR. A dependência, mesmo com 47% das emissões do país vêm do setor, é um desafio para descarbonização.
- Biometano, eletrificação, hidrogênio e combustíveis renováveis misturados ao diesel ganham espaço como alternativas para reduzir custos e dependência do petróleo.
- Exemplos práticos: Jomed Transportes reduziu CO₂ em 34,9% e o custo com combustível em 19,4% com biometano/GNV; Atvos firma parceria com a Scania para ampliar uso de biometano e construir planta em Mato Grosso do Sul.
- Infraestrutura é gargalo: a expansão ocorre principalmente em redes privadas, com poucos pontos de abastecimento público, limitando uso em transportes autônomos ou longas distâncias.
- O cenário indica um caminho gradual, com eletrificação avançando em pilotos e cidades, biometano crescendo em rotas fixas e hidrogênio surgindo como aposta para longas distâncias, sem políticas nacionais de ZEV para caminhões no Brasil.
Os preços do diesel aceleraram a busca por combustíveis alternativos no transporte rodoviário brasileiro, que responde por boa parte das emissões do país. Montadoras, distribuidoras e transportadoras testam biometano, elétricos, hidrogênio e combustíveis renováveis misturados ao diesel.
A dependência do diesel ainda é alta: cálculos apontam que 99% da frota de caminhões e ônibus usa esse combustível. Entidades e pesquisadores analisam cenários com redução gradual da demanda, variando políticas públicas, custos e infraestrutura.
As recentes iniciativas aparecem em meio a tensões geopolíticas e metas de descarbonização. Empresas sinalizam ganhos operacionais com alternativas que prometem abastecimento rápido, eficiência energética e menos emissões.
Caminhos renováveis em operação
A Jomed Transportes substituiu parte da frota por caminhões movidos a GNV e biometano, gerando queda de 34,9% nas emissões de CO2 e 19,4% no custo com combustível, segundo o PLVB. Em paralelo, a Atvos firma parceria com a Scania para ampliar biometano, com construção de planta em MS.
Apesar dos avanços, a infraestrutura pública não acompanha o ritmo. Dados da ANP apontam crescimento de polos de biometano autorizados de 2 em 2020 para 17 em 2025, totalizando 1,2 milhão de m³/dia. A maioria dos pontos opera em instalações privadas.
Infraestrutura e custos da transição
A ascensão do biometano ocorre principalmente em frotas dedicadas, já que não há rede pública consolidada de abastecimento. A disponibilidade de pontos para recarga e abastecimento limita a operação de rotas longas e autônomas, reduzindo a escalabilidade da tecnologia.
O etanol aparece como vetor adicional: pesquisadores da USP defendem uso com motores híbridos otimizados, apoiados pela infraestrutura já existente, ainda em desenvolvimento para uso pesado. Limites de área agrícola para biodiesel também são citados em estudos.
Horizonte tecnológico
A eletrificação avança com pilotos urbanos e projetos-piloto. Caminhões 100% elétricos já percorrem centenas de quilômetros em operações específicas, e modelos de longa distância começam a surgir no mercado globalmente. No Brasil, custos elevados e recarga inadequada seguem como entraves.
Hidrogênio surge como opção para distâncias maiores, com caminhões de célula a combustível testados pela GWM. Porém, a infraestrutura de combustível e o custo permanecem desafiadores, tornando a tecnologia ainda emergente no país.
Perspectivas e balanço do setor
Projeções indicam que, até 2032, diesel responderá por grande parte da matriz, com elétricos representando cerca de 5% da frota e biometano/gás natural somando cerca de 4,4%. O hidrogênio deve ficar abaixo de 1%, segundo a PSR.
A transição deve ocorrer de forma gradual, coexistindo várias tecnologias. A escolha de prioridades impacta custos de saúde, emissões e uso de terras, demandando políticas públicas estáveis para guiar o ritmo da indústria.
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