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Meio ambiente: custo crescente da omissão afeta economia e sociedade

Dia Mundial do Meio Ambiente mostra que custos da degradação já afetam a economia, ampliando perdas em seguros, investimentos e infraestrutura

Vista feita de drone, desde a Ilha do Combu, com a cidade de Belém ao fundo, onde ocorreu a COP30
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  • O Dia Mundial do Meio Ambiente chega aos 54 anos em um momento em que a pauta ambiental já influencia a economia global, não sendo apenas símbolo.
  • Eventos climáticos extremos elevam perdas econômicas, impactando produção, infraestrutura e custos públicos e privados ao redor do mundo.
  • No Rio Grande do Sul, enchentes em 2024 deixaram centenas de vítimas, atingiram milhões de pessoas e comprometeram estradas, aeroportos, áreas agrícolas, indústrias e sistemas urbanos.
  • O relatório de 2024 estimou R$ 88,9 bilhões em efeitos econômicos totais no estado, usando a metodologia DaLA (Damage and Loss Assessment) da CEPAL.
  • A discussão migrou para adaptação: seguradoras ajustam modelos, investidores incorporam riscos climáticos e o comércio considera desmatamento, pegada de carbono e rastreabilidade; o Brasil tem vantagens com matriz renovável, biodiversidade e bioeconomia, mas precisa unir crescimento, inovação e conservação.

O Dia Mundial do Meio Ambiente completa 54 anos em meio a uma percepção de que a agenda ambiental deixou de ser apenas de fóruns ecológicos e passou a influenciar decisões econômicas. Hoje, riscos ambientais impactam investimentos, comércio, infraestrutura e segurança energética.

O foco mudou de somente reduzir emissões para incluir adaptação. Eventos climáticos extremos, como incêndios, enchentes e secas, elevam custos públicos e privados e interrompem atividades produtivas em várias regiões do mundo, incluindo o Brasil.

Em 2024, o Rio Grande do Sul enfrentou enchentes que vitimaram pessoas, afetaram milhões e prejudicaram estradas, aeroportos, áreas agrícolas, indústrias e sistemas urbanos. O relatório Avaliação dos Efeitos e Impactos das Inundações no Rio Grande do Sul estimou danos de R$ 88,9 bilhões.

O estudo, realizado com a metodologia DaLA, usada por órgãos internacionais após desastres, mostra que a conta não fica no passado. A crise gaúcha reforça a necessidade de adaptar cidades e cadeias produtivas para impactos já em curso, não apenas futuros.

No setor privado, seguradoras revisam modelos de risco, investidores incorporam variáveis climáticas e cadeias de suprimento são reavaliadas. Em muitos casos, prevenir e adaptar é mais barato que arcar com prejuízos por inação.

O comércio internacional passou a considerar desmatamento, pegada de carbono e rastreabilidade na decisão de acesso a mercados e de investimentos. A agenda ambiental deixou de ser diferencial reputacional para firmar-se como fator de competitividade.

O Brasil ostenta vantagens, com uma matriz energética renovável, biodiversidade e potencial de bioeconomia. Há liderança em cadeias ligadas à transição energética, mas essas vantagens dependem de combinar crescimento, inovação e conservação.

Essa relação entre meio ambiente e economia já não é apenas estratégica, é prática. Países que transformarem ativos naturais em valor econômico sustentável tendem a ocupar posições privilegiadas no cenário econômico global.

O Dia Mundial do Meio Ambiente funciona, assim, como alerta: os custos da degradação já chegam ao bolso hoje, enquanto os benefícios da prevenção permanecem subestimados. A mudança precisa ser rápida e integrada.

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