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Tarifa sobre trabalho forçado é principal obstáculo nas negociações com os EUA

Governo vê sobretaxa de 12,5% por combate ao trabalho forçado como principal entrave às negociações com os EUA, ampliando dificuldade de acordo bilateral

Lula prometeu enviar carta a Trump para contestar tarifas
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  • O governo brasileiro considera a sobretaxa de 12,5% relacionada ao trabalho forçado o principal obstáculo para um acordo com os EUA.
  • A medida atinge dezenas de países e reduz o espaço de negociação específica com o Brasil.
  • A tarifa extra de 25%, criada pela investigação sob a Seção 301, é vista como a frente de negociação mais promissora até a primeira quinzena de julho.
  • A expectativa é manter as discussões restritas a questões tarifárias, sem ampliar para temas como Pix, regulação de big techs ou terras raras.
  • Uma nova rodada de negociação pode ocorrer na próxima semana entre o ministro Márcio Elias Rosa e o representante de Comércio dos EUA, com a prorrogação do grupo de trabalho cogitada.

O governo brasileiro avalia duas novas sobretaxas dos Estados Unidos sobre produtos nacionais como obstáculos para a negociação bilateral. A cobrança de 12,5%, ligada ao combate ao trabalho forçado, é vista como mais difícil de reverter. A leitura interna é de que a medida afeta dezenas de países, reduzindo espaço para um acordo específico com o Brasil.

A outra tarifa, de 25%, foi anunciada em resposta a uma investigação feita sob a Seção 301. Como o processo mirou o Brasil, há percepção de maior margem para negociação direta com os EUA. O governo pretende manter o foco nas questões tarifárias, sem ampliar para temas como tecnologia, regulação de plataformas ou recursos naturais.

A depender do andamento, a expectativa é de que as medidas entrem em vigor na primeira quinzena de julho. No Planalto, o entendimento é de que Washington tende a não abrir exceções individuais, o que complica soluções bilaterais de imediato.

Desdobramentos das sobretaxas

A avaliação é de que a sobretaxa de 12,5% funciona como uma alternativa ao tarifaço de 2025, ainda que tenha sido alvo de questionamentos na Justiça norte-americana. O consenso internacional sobre trabalho forçado sustenta a posição de manter a cobrança.

Já a tarifa de 25% é vista como ganhando espaço para negociação, por ter sido direcionada especificamente ao Brasil. Discussões preliminares apontam que o etanol pode figurar entre temas de interesse dos negociadores, dependendo de impactos sobre produtores locais.

A equipe brasileira tende a concentrar-se em propostas puramente tarifárias. Não há sinalização de abertura para tratar de Pix, regulação de big techs ou exploração de terras raras, itens comumente mencionados por autoridades americanas.

Uma rodada de negociações deve ocorrer na próxima semana, entre o ministro Márcio Elias Rosa e o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer. Os temas em pauta devem seguir o viés tarifário, sem avanços sobre questões não tarifárias.

O grupo de trabalho criado após encontro entre Lula e Trump em maio pode ser prorrogado. A leitura dominante é de que um acordo definitivo não deve emergir antes de julho, mantendo as negociações ativas até o início efetivo das tarifas ou além dele, se houver proximidade de uma solução.

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