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Imigrante aplica disciplina japonesa para expandir rede hoteleira

Disciplina japonesa impulsiona a Blue Tree, que mira chegar a trinta hotéis com gestão terceirizada e foco em tecnologia, treinamento e parcerias para margens

Chieko Aoki, proprietária da rede Blue Tree Hotels (Foto: Miro)
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  • Blue Tree Hotels deve chegar a trinta unidades no próximo ano, mantendo crescimento de receita superior a doze por cento ao ano desde dois mil e um, sob liderança de Chieko Aoki.
  • Chieko Aoki é imigrante japonesa naturalizada brasileira, formada em Direito pela Universidade de São Paulo, que criou a Blue Tree em mil novecentos e noventa e sete após a crise que afastou marcas como Caesar Park e Westin do Brasil.
  • O modelo de negócio organiza a gestão pela empresa, com investidores proprietários dos imóveis; o trio de atuação é gestão norte‑americana, elegância europeia e hospitalidade com alma japonesa, o omotenashi.
  • A rede investe em tecnologia e pessoas: o sistema Musashi automatiza dados operacionais; 1,3 mil colaboradores foram treinados no programa Árvore da Alma Blue Tree; desde vinte e vinte e três, doze contratos com investidores foram renovados. Atualmente são vinte e duas unidades, com expansão para agronegócio e ecoturismo. Um terço dos hotéis passou por retrofit entre dois mil e vinte e três e dois mil e vinte e cinco.
  • O ambiente tributário brasileiro é citado como desafio, com a possibilidade de alta de impostos para o setor hoteleiro caso a reforma não tenha regulamentação; a ABIH teme carga maior que a média OCDE.

Com 30 unidades previstas para o próximo ano, a rede Blue Tree Hotels mantém crescimento superior a 12% ao ano desde 2021. A empresária Chieko Aoki atribui o desempenho à disciplina e à organização inspiradas na cultura japonesa, aplicadas ao ambiente brasileiro.

Nascida em Fukuoka, no Japão, e naturalizada brasileira aos sete anos, Chieko formou-se em Direito pela USP, mas seguiu carreira na hotelaria para apoiar o marido. O grupo Caesar Park, ligado à família, abriu espaço para sua transformação.

Formação e origem do modelo

Chieko iniciou em 1982 como diretora de marketing em São Paulo e assumiu a presidência de marcas como Caesar Park e Westin. Em seguida, expandiu a gestão para a Westin, até que a rede foi vendida. Ela reorganizou a operação brasileira.

Buscou conhecimento no Japão e nos EUA, com estudos na hotelaria e na Cornell University. Em meio a mudanças internacionais, criou a Blue Tree Hotels em 1997, preservando equipes e cultura organizacional.

Estrutura de gestão e estratégia financeira

O Blue Tree atua com um modelo de administração em parceria, mantendo o know-how da gestão e os imóveis sob propriedade de investidores. A estratégia preserva caixa e amplia o portfólio, com foco em qualidade de serviço.

Para Chieko, a combinação entre gestão norte-americana, elegância europeia e hospitalidade japonesa, o omotenashi, cria diferenciais no Brasil. Ela aponta que o país oferece grandes oportunidades, ainda que haja falhas de funcionamento.

Tecnologia e preservação de margens

A redeadotou o conceito high tech, high touch para equilibrar eficiência e atendimento humano. A inteligência artificial Musashi automatiza dados comerciais, reduzindo custos de suporte e liberando recursos para treinamento.

Entre 2023 e 2025, 33% dos hotéis passaram por retrofit para manter competitividade. A Blue Tree renovou 12 contratos com investidores, com dez firmados sem concorrência. Hoje são 22 unidades ativas, com atuação no agronegócio e ecoturismo.

Educação, disciplina e visão de futuro

Chieko reforça a necessidade de cautela no empreendedorismo no Brasil, com simulações de cenários e separação rigorosa entre caixa da empresa e finanças pessoais. A formação familiar e a disciplina diária aparecem como pilares de sua trajetória.

Ela relembra episódios em que tentou projetos de três estrelas e self-service, mas o mercado não aceitou o padrão desejado, levando à transformação para um serviço premium. A visão é manter o equilíbrio entre inovação e qualidade.

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