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Gasto fiscal e inflação devem levar BC a parar corte de juros, diz Srour

Gasto fiscal e inflação elevam pressão sobre o BC para pausar cortes; mercados já precificam comunicado mais duro do Copom

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  • Analista Solange Srour diz que o Banco Central deveria pausar os cortes, diante de inflação em alta, demanda resiliente e gastos fiscais.
  • Mercados já precificam um comunicado mais duro na próxima reunião do Copom, marcada para 16 e 17 de junho, com abertura para pausa.
  • Inflação de serviços ligada ao mercado de trabalho está em torno de 7%; núcleos de inflação permanecem acima da meta, mesmo sem o efeito das commodities.
  • Demanda brasileira está estimulada por políticas fiscais e creditícias; a taxa neutra subiu e a Selic pode não ser tão restritiva quanto antes.
  • Riscos de queda para a inflação viriam de fatores externos, mas os riscos de alta são predominantemente domésticos, com incerteza sobre o El Niño no fim do ano.

O que aconteceu: Solange Srour, analista da CNN Money e diretora de macroeconomia no UBS, recomenda que o Banco Central pause os cortes da Selic diante de um cenário doméstico pesado. Mercados já sinalizam comunicação mais firme na próxima reunião do Copom.

Quem está envolvido: Srour aponta que a autoridade monetária precisa levar em conta inflação de serviços próxima de 7% no mercado de trabalho e núcleos que seguem acima da meta, mesmo sem choques externos relevantes. Ela destaca o peso da política fiscal.

Quando e onde: a análise se refere à reunião do Copom marcada para os dias 16 e 17 de junho no Brasil. Segundo ela, o comunicado pode abrir espaço para uma pausa na trajetória de cortes.

Por quê: o argumento central é que a economia está resiliente e há estímulos fiscais e creditícios em curso. A inflação doméstica, impulsionada pelo trabalho e serviços, continua pressionando a autoridade a manter postura vigilante.

Fatores que pesam na inflação

Entre os elementos citados, Srour aponta a possível mudança na escala de trabalho, com impactos salariais. Ela também menciona o programa Move Brasil, com previsão de 30 bilhões de reais para aquisição de veículos por trabalhadores de aplicativo e entregadores.

Além disso, o diagnóstico aponta estímulos já aprovados somando 189 bilhões de reais em medidas de demanda. Ela afirma que os efeitos de política fiscal e crédito elevam a inflação pressionando o custo de vida.

Riscos e cenário externo

A analista observa que, fora do Brasil, fatores externos poderiam reduzir riscos de queda da inflação apenas se houver valorização relevante do câmbio ou desaceleração global significativa. No entanto, os riscos domésticos devem se manter no centro das atenções.

Ela ressalta que o viés inflacionário tende a se intensificar nos próximos meses, especialmente com a incerteza sobre o El Niño no fim do ano. A comunicação da autoridade monetária, por outro lado, não indicaria, segundo ela, uma interrupção imediata dos cortes.

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