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Importações e acordo com a UE pressionam indústria de lácteos

Mercosul-UE reduz tarifas de laticínios em até dez anos, ampliando competição para queijos de alto valor no Brasil e pressionando margens da indústria

Setor já enfrenta uma pressão significativa provocada pela entrada de produtos importados
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  • Importações de leite em pó e queijos já representam cerca de oito por cento do mercado brasileiro, pressionando os preços internos.
  • A indústria teme perda de competitividade de laticínios de maior valor agregado com o acordo entre Mercosul e União Europeia, que amplia a concorrência no país.
  • As tarifas de importação para queijos duros já caíram de 28% para 25,2% e devem chegar a zero dentro de dez anos.
  • O prazo de dez anos preocupa quem investe em projetos de longo prazo, pois envolve aprovação, construção e operação de novas unidades.
  • A empresa mira produtos diferenciados e consumidores que valorizam qualidade, origem e processos produtivos para manter competitividade.

A indústria brasileira de laticínios encara pressão crescente com a ampliação de importações e a redução gradual de tarifas decorrente do acordo entre Mercosul e União Europeia. Dados do setor apontam que produtos importados respondem por cerca de 8% do mercado nacional, o que pode intensificar a concorrência sobre queijos de maior valor agregado.

A avaliação é de Angelo Sartor, CEO da RAR Agro & Indústria, que sustenta que a entrada de leite em pó e queijos de países do Mercosul já pressiona preços praticados no mercado interno. Além disso, a confirmação de práticas de dumping nas importações de leite em pó da Argentina e do Uruguai agrava a insegurança setorial.

O acordo Mercosul-UE, cuja implementação começou em maio, prevê redução gradual de tarifas para laticínios europeus, com a retirada de impostos sobre queijos duros entre 28% e 25,2% e projeção de zerar tarifas em dez anos. O horizonte preocupa pela necessidade de planejamento de investimentos de longo prazo em plantas industriais.

Para a linha de produtos de maior valor agregado, como queijos especiais, a RAR prevê maior competição de volumes europeus, que contam com suporte estatal. A estimativa é de que o custo do produto importado chegue a ficar cerca de 20% abaixo do custo de produção nacional, freando a competitividade dos laticínios locais.

Entre as mudanças, Sartor cita impactos esperados sobretudo nos segmentos de queijos especiais e vinhos, ambos com tradição europeia, escala elevada e apoio governamental. O executivo aponta que o acordo beneficia alguns setores de proteína animal, mas os laticínios enfrentam maior pressão competitiva.

Diante do cenário, a RAR tem buscado intensificar a diferenciação por meio de produtos com origem e processos produtivos reconhecidos, além de manter a estrutura industrial existente. A estratégia prioriza eficiência para preservar rentabilidade diante da abertura comercial.

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