- A XP projeta apenas dois cortes da Selic em 2026 e ajusta a carteira para o resto do ano, com foco em IPCA+ de prazo curto, mais seletividade na bolsa e preferência por FIIs de papel. A volatilidade sobe por causa das eleições de outubro.
- A previsão é de Selic em torno de 14% no fim de 2026, com risco de a taxa ficar acima disso; o IPCA para 2026 foi revisado para 5,5%, enquanto o governo teve estímulos que podem reduzir o efeito de aperto monetário.
- Na renda fixa, a recomendação é encurtar prazos de papéis atrelados à inflação para até seis anos, mantendo Tesouro Selic e CDI como base, e atuando com cautela sobre longer IPCA+.
- Na bolsa, o Ibovespa acumula queda e sentimento é pessimista, mas a XP vê oportunidade de entrada gradual em empresas exportadoras e com caixa forte, mantendo foco em ações como Prio, Embraer, Suzano, Itaú e Cury.
- Nos fundos imobiliários, recomenda-se preferência por FIIs de papel em vez de tijolo, com foco em risco baixo/moderado indexados ao IPCA, e atentos aos efeitos da eleição e do juro sobre os lançamentos.
A XP reavalia sua visão para 2026, estimando apenas dois cortes adicionais da Selic neste ano. A casa aponta maior volatilidade nos mercados por conta das eleições de outubro e do cenário de juros elevados no país e no mundo. A recomendação é manter retornos já disponíveis e reduzir exposição em ativos com risco mal distribuído.
A instituição justifica a recalibração com inflação acima da meta e a expectativa de novos choques de custos globais. O estudo aponta que o ambiente exige seletividade maior e foco em investimentos com relação risco-retorno mais favorável, ajustando a carteira para o restante de 2026.
Renda fixa: taxa alta, prazos mais curtos
A XP recomenda maior concentração em títulos atrelados à inflação com vencimentos até seis anos. Papéis IPCA+ longos ganharam menos atratividade por causa da volatilidade de juros. Taxas reais acima de 7% aparecem em vencimentos intermediários, segundo a casa.
Títulos pós-fixados, como Tesouro Selic e CDI, devem seguir como base, rendendo em torno de 14% ao ano. Prefixados exigem cautela, com maior volatilidade e menor margem de ganho. No crédito privado, retornos acima do CDI são vistos como oportunidades pontuais, desde que emissores sejam sólidos e haja diversificação.
Bolsa: pessimismo vira ponto de entrada
O Ibovespa caiu abaixo de 170 mil pontos, após queda de fluxo internacional em ativos de IA. O indicador de preço/lucro está em 8,4x, bem abaixo da média histórica. Apesar do pessimismo, a XP vê espaço para entrada gradual na bolsa até o fim do ano.
A estratégia foca em empresas exportadoras, geradoras de caixa e com menor dependência de crédito doméstico. Entre as favoritas estão Prio, Embraer, Suzano, Itaú e Cury. A XP ressalta que o cenário macro exige atuação seletiva e timing adequado.
Fundos imobiliários: papel sobre tijolo
A XP muda a ênfase para fundos imobiliários de papel (títulos de dívida do setor) em detrimento dos de tijolo. Rendimentos mais altos devem permanecer com inflação elevada. Já os FIIs de tijolo devem oscilar mais diante de incertezas eleitorais e de juros.
A casa recomenda focar em FIIs de baixo a moderado risco indexados ao IPCA. O IFIX subiu até abril, mas devolveu parte dos ganhos com a mudança de cenário. Os FIIs negociam com desconto em relação ao valor patrimonial, sem indicar gatilho para alta sustentada.
O que monitorar no segundo semestre
A XP aponta cinco variáveis que vão influenciar os investimentos: conflito no Oriente Médio; eleições de outubro e as propostas de política fiscal para 2027; o ritmo do Copom e a possibilidade de suspensão de cortes da Selic; El Niño e seus impactos em alimentos e energia; e fluxo estrangeiro, com rotação de teses de investimento.
Megale afirma que a política fiscal do próximo governo é chave para o cenário futuro. Ele diz que choques inflacionários são temporários e que mudanças na política fiscal podem alterar o ambiente de 2027, inclusive a margem para cortes adicionais de juros.
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