- O BRB precisa de 8,8 bilhões de reais para cobrir possíveis perdas com negócios realizados com o Banco Master.
- Auditoria interna aponta que, dos 30 bilhões de reais em títulos comprados do Master, ao menos 8,8 bilhões podem estar perdidos; pelo menos 2,6 bilhões não têm lastro.
- O GDF, acionista majoritário, propõe um empréstimo de 6,6 bilhões de reais ao Fundo Garantidor de Crédito para viabilizar o provisionamento.
- A operação já foi homologada pelo Supremo Tribunal Federal no fim de maio; o governo local busca securitizar a dívida do GDF para receber créditos a vencer, incluindo aporte inicial de 1,17 bilhão de reais.
- O presidente do BRB afirma que o plano depende da aprovação da Câmara Legislativa do Distrito Federal e que, com o provisionamento, o BRB deverá manter operação estável e continuar cumprindo suas obrigações.
O BRB informou nesta terça-feira (9) que precisa de 8,8 bilhões de reais para enfrentar potenciais perdas associadas a negócios com o Banco Master, do banqueiro Daniel Vorcaro. A cifra surge de uma auditoria interna que aponta riscos em parte dos 30 bilhões de reais em títulos adquiridos junto ao Master. Desses, ao menos 2,6 bilhões não possuem lastro e não há garantia real de reembolso ao BRB.
O governo do Distrito Federal, acionista controlador com 53,7% das ações, planeja autorizar, por meio de projeto de lei já homologado pelo STF, um empréstimo de 6,6 bilhões de reais ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). A operação visa cobrir o rombo e manter o BRB estável para correntistas e mercado. A securitização da dívida do GDF é a estratégia prevista para compor o aporte.
Um dos pilares do plano é a securitização de créditos a vencer do GDF, cuja primeira etapa ocorreu em 25 de maio, com a entrada de 1,17 bilhão de reais já integralizados. A expectativa é obter pelo menos mais 3 bilhões de reais por meio dessa operação financeira estruturada, com participação do BTG Pactual.
Contexto e impactos
Saída gradual de recursos depende da aprovação da Câmara Legislativa do DF para o projeto de lei. O presidente do BRB afirma que, com o provisionamento, o banco terá fôlego para operar de forma estável. Ele ressalta que o BRB é hoje maior vítima de questões envolvendo o Master, já que administra depósitos judiciais de vários estados e responde por cerca de 64% dos financiamentos imobiliários do DF, com carteira próxima a 15 bilhões de reais.
Além disso, o presidente destaca que o BRB continua cumprindo obrigações e mantendo operações regulares, mesmo diante do desafio. A avaliação é de que o cenário atual exige medidas para preservar a solvência e a continuidade dos serviços oferecidos pelo banco. A decisão sobre o projeto de lei ainda depende do calendário legislativo do DF.
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