- Nos últimos três anos, o crescimento foi superior aos fundamentos por estímulo fiscal sem precedentes, elevando o consumo e o emprego.
- A inflação voltou a preocupar e as expectativas de longo prazo se desancoram, limitando o espaço do Banco Central para aliviar a política monetária.
- O ciclo de bonança está chegando ao fim e a contração pode ser mais rápida e profunda do que o consenso antecipa.
- O governo expandiu gastos obrigatórios e transferências ao salário mínimo sem contrapartidas produtivas; a alta carga tributária também freou o investimento, alimentando insegurança jurídica.
- É necessária uma âncora fiscal crível acompanhada de reformas para impedir que a dívida volte a ser precificada de forma desfavorável, especialmente diante de choques de oferta que mantêm a inflação pressionada.
A economia brasileira viveu três anos de crescimento acima de seus fundamentos, impulsionada por estímulo fiscal sem precedentes. O consumo e o emprego aumentaram, mas a inflação persiste e as expectativas se desancoram.
O ciclo de bonança está chegando ao fim. A contração que se aproxima pode ser mais rápida e profunda do que o consenso antecipa, elevando a pressão sobre políticas públicas e o mercado de dívida.
O ponto de partida é fiscal. Gastos obrigatórios cresceram estruturalmente, transferências ao salário mínimo aumentaram e benefícios foram ampliados sem contrapartidas de produtividade. O resultado foi maior consumo.
A carga tributária subiu significativamente, porém de forma insuficiente para compensar os impactos, agravados pela insegurança jurídica. O modelo atual tem prazo de validade curto e custos futuros elevados.
O custo já se materializa na inflação e nas expectativas desancoradas. O Banco Central pode perder credibilidade se houver qualquer sinal de afrouxamento prematuro, elevando o custo de crédito e a aversão a investimentos.
Há ainda um choque de oferta em curso. Preços de commodities agrícolas e energéticas seguem pressionados por tensões geopolíticas e pela reorganização de cadeias de produção globais. O repasse aos preços tende a aumentar.
Em economia com dívida elevada e déficits nominais expressivos, a reprecificação da trajetória de juros pode deteriorar a dinâmica da dívida de forma significativa. O risco fiscal se torna mais sensível diante de custos da dívida.
A inflação, impulsionada por fatores fiscais e por choques externos, pode acionar um mecanismo de dominância fiscal. Nesse cenário, uma postura firme do BC é crucial para evitar deterioração de expectativas.
O texto aponta que o Brasil ainda não atingiu esse ponto, mas avança com velocidade que gera preocupação quanto à credibilidade da política monetária e à preservação da âncora fiscal.
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