- A taxa de endividamento das famílias brasileiras chegou a 81,6% em maio de 2026, recorde histórico pelo quinto mês seguido.
- O cartão de crédito continua sendo a principal fonte de dívida, citado por 84,6% dos endividados.
- O endividamento é mais expressivo entre quem tem renda até três salários mínimos, com 84,6% nessa faixa.
- A inadimplência atingiu 29,9% das famílias em maio, acima de abril; o nível mais recente foi 30% em novembro de 2025.
- O governo lançou o Desenrola 2.0 em maio, mas, até agora, não freou o crescimento do endividamento.
A parcela de famílias brasileiras endividadas atingiu 81,6% em maio de 2026, novo recorde histórico pela quinta vez consecutiva. O dado é da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela CNC nesta quarta-feira (10). Em abril, o índice foi 80,9%.
O cartão de crédito continua sendo a principal fonte de dívida, citado por 84,6% dos endividados. Em seguida aparecem carnês (16,1%) e crédito pessoal (13,1%). A tendência de alta persiste mesmo com medidas de renegociação em curso.
Entre as faixas de renda, o endividamento é mais intenso entre as famílias de menor poder aquisitivo. At é 3 salários mínimos, 84,6% estavam endividados em maio, ante 83,6% em abril e 81% em maio de 2025.
Na faixa de 3 a 5 salários, o endividamento chegou a 83,1% em maio, frente a 82,8% em abril e 80,3% em maio de 2025. O avanço nessas parcelas evidencia vulnerabilidade econômica contínua.
José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, destacou o impacto sobre famílias com menor renda. Afirmou que a sequência de aumentos afeta a capacidade de pagamento pela incidência de encargos.
Ele defendeu medidas para facilitar a renegociação das dívidas e a recuperação financeira dos consumidores, citando a necessidade de fôlego para impulsionar o orçamento familiar.
A inadimplência segue em elevação. Em maio, 29,9% das famílias tinham contas em atraso, ante 29,7% em abril e 29,5% em maio de 2025. O maior patamar recente foi 30% em novembro de 2025.
Por outro lado, 12,3% dos entrevistados declarou não ter condições de quitar as dívidas em maio, quase estável em relação a 12,5% de 2025. O comprometimento da renda com dívidas ficou em 29,3%.
O economista Fabio Bentes, responsável pela Peic, atribui parte do cenário ao custo elevado do crédito. Ele afirma que juros ainda pressionam o orçamento doméstico, mantendo a inadimplência elevada.
Segundo Bentes, a redução da taxa Selic tende a demorar para chegar ao consumidor. Enquanto isso, o custo de rolar dívidas reduz o poder de compra.
O governo lançou em maio o Desenrola 2.0, programa de renegociação de dívidas. Os dados da Peic indicam que a iniciativa ainda não freou o crescimento do endividamento até o momento.
O aumento simultâneo de endividamento e inadimplência permanece alto, especialmente entre as famílias de menor renda, que seguem sendo as mais impactadas pelo custo do crédito.
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