- SpaceX fará sua estreia na Nasdaq com captação superior a US$ 75 bilhões e valor de mercado estimado em US$ 1,75 trilhão, tornando-se o maior IPO da história.
- A demanda dos investidores superou o tamanho da oferta, com pedidos de compra que somam mais de US$ 250 bilhões.
- Parte significativa do capital saiu do mercado de criptoativos, com saídas líquidas em ETFs de bitcoin nos EUA que somam quase US$ 3,1 bilhões em 2026.
- Investidores realocam resources de bitcoin e cripto para ações ligadas à inteligência artificial e para grandes IPOs, como OpenAI e Anthropic.
- A rotação de capital pode favorecer ou prolongar a pressão sobre criptomoedas, dependendo do desempenho da SpaceX e do ambiente macroeconômico global.
O IPO da SpaceX, estimado em mais de 75 bilhões de dólares, abriu na Nasdaq sob o código SPCX. O objetivo de captação coloca a empresa em 1,75 trilhão de dólares de valor de mercado na estreia, segundo apuração de mercado. A operação é apresentada como o maior IPO já realizado na história.
Segundo a Reuters, o interesse institucional pelo IPO supera o tamanho da oferta em mais de quatro vezes, com pedidos de compra que somam acima de 250 bilhões de dólares. A demanda é vista como reflexo de uma rotação de capital entre ativos de risco.
Rotação de capital
Parte significativa dos recursos que antes estavam em criptomoedas, especialmente ETFs de bitcoin nos EUA, migrou para ações ligadas à inteligência artificial e para novas grandes ofertas. O movimento é descrito como deslocamento de liquidez entre classes de ativos.
Em 2026, as saídas líquidas dos ETFs de bitcoin alcançaram cerca de 3,1 bilhões de dólares, com picos semanais superiores a 2,7 bilhões em cinco dias úteis. O bitcoin recuou cerca de um terço do valor inicial do ano, acompanhando a tendência de sangramento de capital.
Por que SpaceX domina a atenção
A pauta atual do mercado envolve IA, satélites de comunicação e lançamentos comerciais. A reestruturação societária de 2026 agregou ao grupo o xAI, o assistente Grok e a rede social X, fortalecendo a percepção de um conglomerado tecnológico amplo.
Nesse cenário, o mercado compara a SpaceX ao que grandes empresas de tecnologia representaram para a geração de 2000, com expectativa de ganhos expressivos de curto prazo. Além disso, há o fator de que o IPO é visto como teste de interesse por tecnologia de ponta em mercados globais.
E o bitcoin nessa dinâmica?
O cenário macro não se resume ao IPO: títulos públicos de longo prazo permaneceram próximos de máximas desde 2007, pressionando a liquidez global. O petróleo em patamar elevado sustenta pressões inflacionárias, limitando cortes de juros. A recente venda de bitcoin pela Strategy, de Michael Saylor, também ajuda a explicar o enfraquecimento do ativo.
Em síntese, o IPO da SpaceX não é exclusivo responsável pela movimentação, mas adiciona pressão adicional sobre criptomoedas já fragilizadas. O que acontece a seguir dependerá da evolução do apetite por nomes de tecnologia e de ajustes nas condições de financiamento.
Perspectivas para o investidor
Com a alocação ao IPO encerrada e o capital institucional posicionado, parte do dinheiro pode retornar a oportunidades em ativos de risco, inclusive bitcoin e criptomoedas. Por outro lado, um desempenho muito forte da SpaceX pode manter a rotação de capital elevada por meses.
Para o investidor brasileiro, a mensagem é de cautela: o bitcoin opera em um sistema financeiro global que compete por capital com ações de tecnologia e com renda fixa em dólar. A estratégia recomendada é de aportes graduais, com gestão de risco e preservação de capital.
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