- O mercado de petróleo se mantém estável abaixo de US$ 100 por barril mais por medidas emergenciais do que pela oferta, diante da queda rápida das reservas globais e do fechamento do Estreito de Ormuz.
- A demanda global fica em torno de 100 milhões de barris por dia, e a capacidade de compensar a perda de 15 milhões de barris diários está chegando ao limite devido ao bloqueio estratégico.
- A maior liberação coordenada de estoques da história, pela Agência Internacional de Energia, está quase encerrada; Morgan Stanley estima queda de liberações de 2,5 milhões de barris/dia em junho para 0,7 milhão em julho, o que pode provocar choque de preços.
- Japão e Estados Unidos aparecem sob maior pressão: o Japão liberou estoques para reduzir o consumo, enquanto a Reserva Estratégica de Petróleo americana se aproxima do nível mais baixo desde 1983.
- A pressão sobre o presidente Donald Trump decorre menos da política interna e mais da matemática das reservas: sem retorno rápido do petróleo pelo estreito de Ormuz, os estoques se esgotam e os preços sobem, acelerando a necessidade de acordo com o Irã.
O mercado internacional de petróleo vive uma realidade de calma aparente, enquanto a pressão logística se intensifica. Passados mais de 100 dias desde o início do conflito entre EUA e Irã, o preço do barril fica abaixo de 100 dólares, mas a estabilidade não reflete a fragilidade das reservas globais.
A queda dos estoques, associada ao fechamento do Estreito de Ormuz, faz o mundo depender de medidas emergenciais. A demanda global é de cerca de 100 milhões de barris por dia e não há fôlego suficiente para compensar a perda de 15 milhões diários causada pela interrupção do fluxo de petróleo pelo estreito.
O papel das reservas estratégicas
A maior liberação coordenada da história da Agência Internacional de Energia ainda faz efeito, mas está perto do fim. Em março, 400 milhões de barris foram liberados; quase metade já chegou aos mercados, em ritmo de 2,5 a 3 milhões de barris por dia.
O ritmo de liberações está previsto para recuar significativamente. Morgan Stanley projeta queda de 2,5 milhões de bpd em junho para 0,7 milhão em julho, o que pode provocar choque imediato caso o Ormuz permaneça fechado.
Brasil e Japão, influências externas
O Japão liderou a pressão pela liberação de estoques, anunciando liberação equivalente a 50 dias de consumo, cerca de 90 milhões de barris. Mesmo com o excedente, o país mantém estoques para mais de 120 dias, acima do mínimo recomendado pela AIE.
Nos EUA, a Reserva Estratégica de Petróleo está no nível mais baixo desde 1983, após saques significativos em 2022 e 2023. A SPR já retira petróleo, empresta estoque e enfrenta restrições de venda, com várias leilões ficando parcialmente vazios.
Por que a urgência de um acordo com o Irã aumenta
A pressa do presidente Trump não depende apenas de fatores eleitorais. A matemática das reservas globais aponta que, se o fluxo não for retomado, o mundo ficará sem amortecedores e os preços podem subir antes de existir escassez física.
Diversos analistas destacam que o mercado já observa sinais de risco. A China reduziu importações em cerca de 5 milhões de bpd, ajudando a evitar pressões de preço. Mesmo assim, esse alívio tem limites e não substitui por completo o fluxo perdido pelo estreito.
O que pode mudar nos próximos meses
Caso as liberações de reservas caiam conforme o previsto, a volatilidade tende a aumentar. A reabertura do Estreito de Ormuz é visto como fator crucial para evitar um salto abrupto de preços, especialmente se não houver acordo diplomático com o Irã.
A volatilidade atual reflete a dependência de estoques estratégicos e da capacidade de resposta dos grandes players globais. Sem solução diplomática, o mercado pode enfrentar impactos imprevisíveis.
O mundo, com reservas em curto prazo, observa atentamente as negociações entre Estados Unidos e Irã, enquanto a contabilidade delicada das reservas determina a probabilidade de novos movimentos de preços. O tempo, afinal, não está do lado de quem depende desses estoques.
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