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Fim da 6×1 sem transição aumenta pressão sobre inflação e Selic, diz economista

Fim da escala 6x1 pode pressionar a inflação de serviços e reduzir espaço para cortes da Selic, com custos adicionais às empresas

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  • O fim da escala de trabalho 6×1 é visto como capaz de pressionar a inflação e a taxa Selic, se a transição não for gradual, segundo o economista Arnaldo Lima.
  • A inflação de serviços já opera em patamar elevado, próximo de 6% nos últimos doze meses, com alta de 0,40% em maio.
  • O contexto macro atual, agravado pela guerra no Oriente Médio, eleva custos de combustíveis e fertilizantes e reduz espaço para cortes de juros, conforme o Banco Central.
  • A Confederação Nacional da Indústria aponta que reduzir a jornada de 44 para 40 horas pode custar entre R$ 178,2 bilhões e R$ 267,2 bilhões por ano para empresas formais, correspondendo a até 7% a mais na folha de pagamentos.
  • Em maio, a Câmara aprovou a PEC sobre o fim da escala 6×1, com prazo para análise do Senado.

O fim da escala de trabalho 6×1 volta a gerar debate sobre impactos na inflação e na taxa Selic. Economista da Polo Capital, Arnaldo Lima, aponta que uma transição abrupta pode pressionar custos para empresas e repassar aos preços ao consumidor. A avaliação é feita diante do cenário atual.

Segundo Lima, a desregulamentação repentina exigiria ajustes de custos com horas extras ou contratação de mão de obra adicional, elevando pressões inflacionárias, especialmente no segmento de serviços. O momento, com a inflação de serviços em torno de 6% nos últimos 12 meses, torna a mudança mais sensível.

A conjuntura macroeconômica já traz obstáculos para o Banco Central. A war no Oriente Médio elevou combustíveis e fertilizantes, dificultando redução de juros. O Boletim Focus sinaliza menor espaço para queda da Selic neste ano, diante de custos de produção e de inflação.

Impactos econômicos

A CNI estima custos adicionais para as empresas com a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais. O cálculo aponta faixa entre 178,2 bilhões e 267,2 bilhões de reais por ano para empregados formais, o que representa até 7% a mais na folha de pagamentos.

Para o economista, o foco deve ser aumentar a produtividade antes de ampliar a jornada. Lima ressalta que a produtividade brasileira está aquém de pares emergentes, como a Rússia, e defende qualificação e melhorias no ambiente de trabalho.

Ainda segundo o especialista, trabalhadores precisam ter voz para moldar acordos e convenções coletivas, fortalecendo a relação entre empregado e empregador. A discussão sobre a pauta tem ganhado espaço em debates públicos.

Em maio, a Câmara dos Deputados aprovou a PEC sobre o fim da escala 6×1. A proposta foi aprovada no primeiro turno por 472 a 22 votos e 461 a 19 no segundo turno. O texto aguarda análise do Senado.

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