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Brasil amplia papel na descarbonização do transporte marítimo com etanol de milho

IMO define pegada de carbono do etanol de milho brasileiro em 20,8 g CO₂e por MJ, impulsionando o Brasil como fornecedor de biocombustíveis para o transporte marítimo

Etanol de milho de segunda safra é complemento a outros biocombustíveis — Foto: Divulgação
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  • A Organização Marítima Internacional definiu a pegada de carbono do etanol de milho brasileiro em 20,8 g CO₂e por megajoule, para a segunda safra, marcando um passo importante para o uso no transporte marítimo.
  • A definição pode ampliar o papel do etanol de milho como opção viável para descarbonizar o setor marítimo, segundo executivos do setor.
  • A média atual de emissões dos combustíveis usados na navegação é de 93,3 g CO₂e por megajoule, segundo dados da própria IMO.
  • A produção de etanol de milho no Brasil cresceu para quase 10 bilhões de litros na safra 2025/26, ante 2,65 bilhões no início da década, conforme a UNEM.
  • Produtores indicam que, com aprovação para uso no marítimo, pode haver prêmios para combustíveis mais sustentáveis e que o etanol de milho atuará de forma complementar aos biocombustíveis existentes.

Em maio, a Organização Marítima Internacional (IMO) definiu o valor padrão da pegada de carbono do etanol de milho brasileiro em 20,8 gramas de CO₂e por megajoule, para o biocombustível produzido a partir da segunda safra do país. A medida pode ampliar o papel do Brasil na descarbonização do transporte marítimo.

A definição integra regras da IMO para reduzir emissões no setor, com cronogramas de queda de gases de efeito estufa e incentivo à adoção de novas tecnologias e combustíveis. Hoje, a intensidade média de emissões no setor é de 93,3 g CO₂e por MJ, segundo dados da própria organização.

No Brasil, embora o etanol de cana-deaçúcar continue predominante, a produção de etanol de milho tem crescido. A UNEM aponta salto de quase 10 bilhões de litros na safra 2025/26, ante 2,65 bilhões de litros apenas no início da década.

A decisão da IMO foi saudada por executivos do setor. Gustavo Mariano, vice-presidente de comercialização da Inpasa, afirmou que o marco consolida o etanol de milho brasileiro como combustível viável para descarbonizar o transporte marítimo, destacando a validação internacional como etapa-chave para a demanda.

Rafael Abud, presidente-executivo da FS Fueling Sustainability, destacou que, com aprovação regulatória para uso no transporte marítimo, produtores podem vislumbrar premiações por combustíveis mais sustentáveis. Casos de descarbonização já incluem uso de biomassa, ganhos de eficiência e projetos BECCS.

Os especialistas ressaltam que o etanol de milho de segunda safra não substitui outros biocombustíveis, como o de cana-de-açúcar ou o biodiesel, mas atua de forma complementar. Mariano lembrou que, se todo o mercado de combustível marítimo fosse convertido a etanol, os volumes estimados chegariam a quase 400 bilhões de litros, reforçando a necessidade de múltiplas soluções sustentáveis.

Potencial e desdobramentos

A expectativa é de que a nova referência da IMO incentive investimentos em produção, logística e padrões de certificação para o etanol de milho brasileiro, ampliando a participação brasileira na cadeia de descarbonização do modal. A indústria aponta como desafio a escalabilidade e a concorrência entre diferentes biocombustíveis para atender a metas globais.

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