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Fundos multimercados enfrentam pressão, diz TAG sobre acomodação da indústria

Relatório da TAG evidencia que multimercados perderam descorrelação, passando a acompanhar fatores do Kit Brasil e elevando questionamentos sobre gestão ativa

Mulher analisando relatório: fundos não diversificam, são mais caros e entregam retorno similares aos de ETFs. Foto: Envato Elements
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  • Estudo da TAG Investimentos (2015–2026) aponta que fundos multimercados passaram a acompanhar os mesmos fatores de risco do mercado brasileiro, reduzindo a diversificação.
  • Em março, o IHFA caiu 3,42%, com mais de 77% dos fundos registrando perdas, sinalizando posições semelhantes entre gestores em juros, câmbio e ativos domésticos.
  • O Kit Brasil, por sua vez, perdeu menos da metade da queda do IHFA, segundo a gestora, indicando uso maior de alavancagem e apostas dependentes do viés do mercado.
  • Apenas 32% dos fundos do IHFA conseguiram superar o CDI nos últimos 48 meses, destacando dificuldade em entregar retornos superiores ao benchmark.
  • A TAG recomenda reduzir a exposição da carteira a multimercados, defendendo uma combinação de fundos globais e seleção mais restrita de gestores locais capazes de gerar alfa sem depender do mercado brasileiro.

Os fundos multimercados vêm perdendo a capacidade de oferecer descorrelação frente a ações, juros e o mercado doméstico, aponta estudo da TAG Investimentos sobre o período de 2015 a 2026. A conclusão central é que a classe ficou cada vez mais exposta aos mesmos fatores de risco do Brasil.

O relatório afirma que, antes de 2015, os multimercados apresentavam correlações significativamente menores com ativos domésticos. A partir de então, a exposição aos fatores do Kit Brasil — bolsa, juros, inflação e dólar — aumentou de forma consistente, reduzindo a diversificação entre gestoras.

O estudo cita ainda o choque no fim de março, com o início de um conflito entre Estados Unidos e Irã e a alta do petróleo. O IHFA, índice referência dos multimercados, caiu 3,42% no mês, e mais de 77% dos fundos registraram perdas. Para a TAG, o movimento evidenciou posições conjuntas em juros, câmbio e ativos domésticos.

Evidências

A gestora apresenta cinco dados para indicar a necessidade de repensar a classe de ativos. Os cálculos usam 2.091 observações diárias de desempenho.

  • 81,4%: correlação entre IHFA e Ibovespa no período, sugerindo que multimercados acompanharam grande parte das oscilações da bolsa.
  • 207,8%: retorno do Kit Brasil passivo, versus IHFA de 203,2% e CDI de 191,4%, indicando que uma carteira passiva de ativos domésticos superou o desempenho agregado dos multimercados.
  • 32%: proportion of IHFA funds que bateram o CDI nos últimos 48 meses, destacando dificuldade de entregar retorno acima do índice de referência.
  • 0,72%: correlação média IHFA × Kit Brasil pós-2015, com variações entre 0,40 e 0,90, mostrando alinhamento crescente aos fatores de risco tradicionais.
  • +40 p.p.: aumento da correlação com o Kit Brasil a partir de 2015, passando de cerca de 0,27 a patamares entre 0,65 e 0,93.

Resistência a mudanças

O estudo aponta que a indústria enfrenta dificuldades para se adaptar a mudanças no cenário global, com predomínio de estratégias macro, dependência de convergências econômicas e pouca renovação gerencial. A TAG sustenta que a paisagem não mudou: continuação de estratégias similares, equipes repetidas e taxas elevadas, o que exige reformulação estrutural.

Ao observar o que houve na prática, a gestora afirma que boa parte dos fundos oferece essencialmente a mesma exposição de um portfólio passivo de ativos locais, mas com taxas superiores. Taxas comuns costumam ficar em 2% de administração, além de 20% sobre a performance.

Vale a pena investir?

Com base na análise, a TAG reduziu a recomendação para multimercados ao nível mínimo permitido em suas carteiras. A mensagem é de que a indústria precisa de reformas profundas para justificar novas alocações.

A gestora propõe, para o futuro, combinar fundos multimercados globais com uma seleção mais restrita de gestores locais capazes de gerar alfa sem depender tanto do desempenho do mercado doméstico.

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