- A Nestlé perdeu cerca de US$ 170 bilhões em valor de mercado desde o início de dois mil e vinte e dois, após vendas fracas e aquisições mal-sucedidas.
- O novo CEO, Philipp Navratil, chegou em setembro e acelerou um turnaround focado em café, snacks e nutrição, buscando ganhos de volume.
- A métrica principal é o Real Internal Growth (RIG), com alta de 1,2% no último trimestre para todas as unidades, exceto a de produtos infantis.
- A empresa tem apresentado planos de reduzir custos e simplificar o portfólio, com venda de marcas como San Pellegrino e de parte da participação na Häagen-Dazs, além de demitir cerca de 16 mil funcionários até o fim de 2027.
- Investidores também observam desafios com a demanda em um mercado influenciado por medicamentos GLP-1; a Nestlé mantém, no entanto, visão de “nutrição, não calorias”, para preservar liderança e dividendos.
A Nestlé registrou queda de cerca de US$ 170 bilhões em valor de mercado desde o começo de 2022, influenciada por vendas fracas, aquisições malogras e uma sequência de mudanças no comando. A companhia, dona de marcas como Nescafé, KitKat e Purina, iniciou um processo de recuperação com a estreia de seu terceiro CEO em 13 meses.
Philipp Navratil assumiu o cargo buscando ampliar o volume em vez de apenas elevar preços, com foco em café, alimentos para pets e snacks. Em entrevista à Barron’s, ele destacou a meta de vender mais unidades por dia para reequilibrar o negócio. A CFO Anna Manz reforçou a ideia de que maior consumo interno é o caminho para geração de valor acionário.
O principal indicador de desempenho interno da Nestlé é o RIG, que mede o crescimento real de volume. Em dados de abril, os três meses anteriores mostraram alta de 1,2% no RIG frente ao mesmo período do ano anterior, com crescimento em quase todas as unidades, exceto infantis. Navratil afirmou que o objetivo é superar os concorrentes em ritmo de crescimento.
Reestruturação e foco estratégico
Paralelamente, o novo comando trabalha para simplificar o portfólio e concentrar esforços em quatro áreas: café, snacks, nutrição e pet care. A Nestlé avalia vender marcas menos sólidas, como água San Pellegrino, e reduzir a participação na Häagen-Dazs, para alinhar o portfólio a negócios de maior potencial de expansão.
Desde a sua chegada, Navratil lançou um programa de redução de custos que prevê a eliminação de cerca de 16 mil empregos, equivalente a aproximadamente 6% da força de trabalho. A empresa estima economizar até US$ 3,8 bilhões até o fim de 2027.
Desafios recentes e contexto
Os problemas da Nestlé tiveram início com a guerra na Ucrânia, que elevou custos de insumos e levou a reajustes de preços. Em 2022 houve alta de 8,2% nos preços e, em 2023, de 7,5%, o que preservou margens, porém reduziu o market share para rivais como Oreo, Cadbury e Dr. Pepper.
Investidores apontam erros em aquisições. Novos portfólios fora do core business contribuíram para distrações, incluindo Blue Bottle Coffee, Freshly e Aimmune Therapeutics. A Blue Bottle foi vendida em 2026 por aproximadamente US$ 400 milhões, após a compra em 2017 por US$ 425 milhões.
Desafios de saúde do consumidor e perspectivas
Outro desafio é o impacto de medicamentos GLP-1, que reduzem o apetite de consumidores. A Nestlé tem enfatizado a estratégia de oferecer “nutrição, não calorias”, mantendo que as pessoas continuarão a consumir chocolate ou pizza de vez em quando. A ação da empresa avançou cerca de 4% no ano, com valor de mercado em torno de US$ 257 bilhões na bolsa suíça, negociando a 18x o lucro estimado para este ano, abaixo da média de cinco anos (23x).
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