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Paradoxo da energia limpa desperdiçada aponta gargalos da eficiência

Curtailment expõe contrassenso da transição energética: produção renovável é desperdiçada por gargalos de transmissão no Brasil

Usina de Energia Eólica (UEE) em Icaraí, no Ceará (CE)
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  • O curtailment (corte de geração) passou de 9,6% em 2024 para 20,6% em 2025, com cortes na solar em torno de 35% e na eólica cerca de 15%.
  • O fenômeno ocorre mesmo com vento e sol disponíveis, especialmente no Nordeste, devido a gargalos de transmissão e uso da rede.
  • As perdas do setor já passam de R$ 5 bilhões nos últimos anos, e estudos indicam que o curtailment solar pode chegar a quase 23% ao ano em 2026 se não houver melhorias na infraestrutura.
  • A Aneel está revendo regras do curtailment para esclarecer critérios de cortes e ressarcimento; associações defendem compensação, enquanto a agência alerta sobre impactos de decisões judiciais.
  • A solução envolve expansão da transmissão, armazenamento em baterias, eletrificação industrial, hidrogênio de baixo carbono e atração de grandes consumidores para regiões com excedente de energia renovável.

O que aconteceu: durante a estreia do Brasil na Copa do Mundo de 2026, o Operador Nacional do Sistema Elétrico monitorou oscilações de demanda que resultaram em cortes de geração. Usinas foram obrigadas a reduzir produção mesmo com vento e sol disponíveis, para manter a confiabilidade do sistema.

Quem está envolvido: o fenômeno envolve o sistema elétrico brasileiro, com destaque para usinas solares e eólicas, além da atuação regulatória da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Associações de geração apontam prejuízos; o setor defende regras mais claras para ressarcimento aos empreendedores.

Quando e onde: os episódios de curtailment se repetem ao longo dos últimos anos, com maior incidência no Nordeste, e ganham relevância diante da transição energética acelerada. Dados indicam que a média de cortes subiu de 9,6% em 2024 para 20,6% em 2025.

Panorama atual dos cortes na geração

A redução obrigatória da geração atingiu aproximadamente 35% nas usinas solares e 15% nas eólicas, segundo compilação citada pelo NeoFeed. Os prejuízos acumulados pelo setor passam de R$ 5 bilhões, conforme estimativas de associações de geração.

Perspectivas de curto prazo

Estudos indicam que, se persistirem gargalos de transmissão, cortes na solar centralizada podem chegar a ~23% ao ano já em 2026. A relação entre desperdício de energia limpa e uso de termelétricas continua sendo tema central para o sistema elétrico.

Caminhos regulatórios e setoriais

Aneel realiza nesta semana a revisão das regras do curtailment para definir critérios de cortes obrigatórios e, principalmente, bases para ressarcimento aos geradores afetados. Associações defendem compensação; a agência alerta sobre impactos de decisões judiciais na operação e nos custos do setor.

Desafios estruturais

A origem do curtailment está na velocidade da transformação: geração renovável cresce mais que a transmissão capaz de conectá-la aos grandes centros. O objetivo é conectar produção a consumo por meio de expansão de transmissão, armazenamento, hidrogênio de baixo carbono e industrialização eletrointensiva.

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