- Sergio Lazzarini, vice‑presidente do Insper, defende a privatização do BRB como solução para a crise financeira do banco.
- Ele afirma que o BRB se desviou de sua missão de desenvolvimento local, gerando um rombo financeiro e criticando a gestão atual.
- O pesquisador sugere que a função do BRB pode ser atendida por outras instituições, como Banco do Brasil ou BNDES, via convênios, sem manter um banco estadual.
- Ressalta a necessidade de governança forte para evitar interferências políticas em estatais e questiona se há justificativa para a existência do BRB diante dos custos potenciais ao contribuinte.
- O ambiente político é adverso à privatização: governo federal, governadora e parte da população enfrentam resistência, o que, segundo ele, dificultaria a privatização, ainda que seja a solução mais barata, correta e técnica.
Sergio Lazzarini, vice-presidente do Insper, defende a privatização do Banco Regional de Brasília BRB como caminho para a crise financeira. O pesquisador afirma que o problema não é apenas o Master, mas a gestão que desviou da missão de desenvolvimento local. Ele aponta a privatização como solução, desde que haja governança sólida para evitar interferência política.
O BRB foi criado para promover desenvolvimento regional. Em período anterior, seu presidente à época, Paulo Henrique Costa, defendia a expansão de escala para justificar a aquisição do Master, comportamento visto como inconsistência com o estatuto original. Críticas a esse desvio ganham força entre especialistas.
Questiona-se se o BRB realmente existe para cumprir o objetivo estatal ou apenas para atender a desejos políticos. A hipótese apresentada é que outras instituições poderiam realizar atividades semelhantes, como o Banco do Brasil, BNDES ou parcerias com bancos já existentes. O debate volta a enfatizar o custo público.
Para Lazzarini, o custo do atraso em reajustar o funcionamento da instituição recai sobre o contribuinte. Sem uma reversão, o rombo persiste e o governo federal precisaria intervir com garantias, cenário já observado em outras entidades estatais. A comparação com os Correios é citada como alerta.
Entre as propostas, a privatização é apresentada como a alternativa mais viável. O pesquisador ressalta que não se trata de privatizar tudo, mas de redefinir a função pública do BRB, avaliando se o custo de atendimento aos objetivos de política pública é justificável. Atualmente, não há consenso sobre a viabilidade.
Ainda conforme a análise, o ambiente político dificulta mudanças. O governo federal não demonstra interesse na privatização, e a governadora Celina Leão (Progressistas) também não sinaliza apoio. A resistência da população e o peso dos lobbies sindicais ajudam a explicar a manutenção do status quo.
Lazzarini reforça que a solução depende de uma visão clara sobre a função pública do BRB e de custos compatíveis com os objetivos. Sem uma governança robusta, o rompimento com o modelo estatal tende a falhar, mantendo o rombo e a necessidade de intervenções futuras.
Contexto histórico e governança
A discussão remete à década de 1990, quando bancos estaduais foram privatizados diante de interferências políticas que geravam déficits. A ruptura com o modelo estatal passou a ser discutida como alternativa para reduzir custos e aumentar produtividade. Hoje, o debate volta a girar em torno da função social versus eficiência financeira.
Perspectivas públicas
Segundo as avaliações citadas, há resistência tanto de gestores quanto da população. A percepção de privatização como solução barata é contestada pela complexidade de impactos fiscais e sociais. A necessidade de supervisão regulatória é destacada para evitar novas distorções.
Desfecho e próximos passos
A opção por privatizar o BRB continua sob análise. A discussão envolve se manter a instituição para cumprir objetivos de política pública ou substituí-la por mecanismos de financiamento e crédito que não dependam de um banco estatal. O tema permanece em pauta no âmbito técnico e político.
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