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Mercado espera Selic em dígito único apenas na próxima década

Mercado vê Selic em dígito apenas no fim da década, se governo oferecer ajuste fiscal crível e alinhamento com o Banco Central

Diretores do BC decidem entre terça e quarta-feiras o rumo da taxa Selic
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  • A Selic está em 14,50% e o mercado projeta novo corte de 0,25 ponto na próxima decisão do Copom.
  • Economistas dizem que a Selic só retorna a um dígito na próxima década, potencialmente em 2028 ou 2029, se houver reequilíbrio fiscal e alinhamento com o Banco Central.
  • Mediana do Focus aponta: fim de 2026 em 13,75%, fim de 2027 em 12%, fim de 2028 em 10,25% e fim de 2029 em 10%.
  • A inflação prevista pelo Focus para 2026, 2027, 2028 e 2029 tem subidas em relação a meses anteriores, com IPCA de 2026 estimado em 5,30% e teto de meta em 4,50%.
  • Especialistas ressaltam que, além da inflação, o desempenho fiscal e a confiança fiscal serão determinantes para a possibilidade de juros de um dígito, com apoio necessário de medidas de austeridade e controle de gastos.

Diante das novas projeções de inflação, o mercado acredita que a Selic só voltará a um dígito na próxima década. Economistas consultados pelo Estadão/Broadcast veem possibilidade de 2028 ou 2029, desde que o governo avance no reequilíbrio fiscal e coopere com o BC.

A Selic está em 14,50% e há expectativa de novo corte de 0,25 ponto na decisão do Copom que será anunciada na quarta-feira. A taxa está em dígitos há pouco mais de quatro anos, desde fevereiro de 2022, quando subiu de 9,25% para 10,75%.

Para o chefe do setor financeiro do Banco Bmg, o marco decisivo não é apenas o choque externo, mas a trajetória das contas públicas e da dívida. O desafio é manter superávits primários para estabilizar a dívida pública, segundo ele.

Panorama de projeções

A mediana para a Selic no fim de 2026 subiu de 13,50% para 13,75%; para 2027, de 11,50% para 12%; para 2028, de 10% para 10,25%; e para 2029, permanece em 10%. A estimativa para 2029 passou a indicar juros de dois dígitos no início de maio, de 9,75% para 10%.

A deterioração das expectativas de inflação acompanhou o aumento de gastos em ano eleitoral e o prolongamento de conflitos internacionais que elevam preços de commodities. O IPCA de 12 meses ficou em 4,72% até maio, acima do teto da meta de 4,5%.

Análise de especialistas

Economistas apontam que, além do fiscal, há um cenário de juros estruturalmente mais altos no mundo e de uma taxa neutra doméstica elevada. O total de gastos públicos e a relação dívida/PIB influenciam a percepção de inflação futura e a margem de manobra do BC.

Para analistas, a convergência da inflação para a meta e a ancoragem das expectativas são cruciais. Se o governo manter disciplina fiscal e reduzir o descompasso entre política fiscal e monetária, há chance de queda mais expressiva dos juros no longo prazo.

Perspectivas para o final da década

Alguns profissionais sustentam que a Selic abaixo de 10% depende de ajuste fiscal crível e de menor pressão inflacionária global. Aguardar melhor atuação fiscal, controle de gastos e recuperação da confiança fiscal é visto como condição para a redução de juros para patamares de um dígito entre 2028 e 2029.

Outros destacam que, sem arrefecimento da inflação e sem redução efetiva dos riscos fiscais, a trajetória de juros pode permanecer em patamares elevados por mais tempo. A análise comum é de que o cenário depende de decisões fiscais consistentes e de uma trajetória de inflação mais estável.

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