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Copom reduz Selic em 14,25% e mantém cortes; cenário desafiador para o setor

Copom reduz Selic para 14,25% ao ano, mantém cautela frente inflação acima da meta e incertezas fiscais, pressionando o capital de giro das micro e pequenas empresas

Decisão foi anunciada nesta quarta-feira (17/6) após reunião do Copom — Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
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  • Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, buscando 14,25% ao ano, em 17 de junho, mantendo cautela diante da inflação e incertezas fiscais.
  • IPCA de maio subiu 0,58%, levando o índice em 12 meses a 4,72%, acima do teto da meta de 4,5%.
  • A ata cita incertezas do ambiente externo e o impacto da política fiscal doméstica na trajetória da política monetária.
  • Especialistas veem a decisão como conservadora para tentar ancorar as expectativas de inflação; juros altos continuam pressionando o caixa de micro, pequenas e médias empresas.
  • Fatores externos e climáticos seguem no radar: tarifas dos EUA e o possível impacto do El Niño sobre safras e oferta de energia.

O Copom decidiu nesta quarta-feira, 17 de junho, reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano. A queda ocorre em meio a inflação ainda elevada e a incerteza fiscal, mantendo o tom cauteloso da autoridade monetária diante de pressões de preços e do cenário externo.

A ata divulgada pelo BC aponta que a decisão levou em conta o ambiente externo volátil. O comitê reforçou que acompanha a dinâmica da política fiscal doméstica e seus impactos sobre a política monetária e os ativos financeiros, mantendo posição de cautela em cenário de incerteza.

O último Boletim Focus mostrou projeção de inflação para 2026 subindo pela 14ª semana consecutiva, para 5,3%. Economistas comentam que o BC adotou estratégia conservadora para ancorar as expectativas, diante de inflação acima da meta e dúvidas sobre o arcabouço fiscal.

Impacto sobre a economia real

Juros altos continuam pressionando o caixa de pequenas e médias empresas. Com a Selic em patamar elevado, o custo de capital de giro permanece alto, a antecipação de recebíveis fica mais cara e planos de expansão sofrem atraso. O consumo das famílias tende a permanecer moderado.

Especialistas destacam que juros elevados desestimulam investimentos produtivos. Quando há remuneração elevada para o capital mantido pela empresa, o incentivo para investir na economia real fica prejudicado, principalmente diante de margens pressionadas.

A manutenção da taxa em 14% reduz o apetite por projetos de expansão, com estimativas de crescimento econômico abaixo do potencial. A expectativa de crescimento para 2026 fica em torno de 1,6%, o que tende a frear aquisições de máquinas e expansão de fábricas à medida que a demanda recua.

Cenário externo e riscos domésticos

Riscos externos continuam presentes, ainda que haja sinais de alívio internacional, como avanços diplomáticos entre EUA e Irã. Tarifas sobre produtos brasileiros, anunciadas recentemente, podem pressionar o câmbio e tornar importações mais caras, elevando custos.

No âmbito doméstico, especialistas apontam para vulnerabilidades climáticas, como o complexo El Niño, que pode impactar safras agrícolas e a oferta de energia, gerando novos choques de custos para empresas e consumidores.

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