- A maior parte das empresas que tenta adotar IA encaixa a tecnologia nos processos existentes, em vez de repensar o negócio a partir da IA, aponta Evandro Armelin, head de Digital Technology da NTT Data.
- O desafio real está na transformação organizacional: repensar processos, modelo operacional e serviços para incluir IA como parte central da análise.
- A líder de talento e transformação da NTT Data enfatiza que entregar a ferramenta não resolve o problema; é preciso envolver pessoas e criar capacidade organizacional antes de medir retorno.
- A prática de governança aponta riscos de “shadow AI”, uso de ferramentas públicas com dados corporativos sem controle; recomenda-se acordos com instâncias protegidas para evitar retreinamento de modelos.
- O mercado terá variações por setor e pela cultura interna; bancos, telecomunicações e processadores de pagamento avançam mais rápido, enquanto indústria pesada e varejo muitas vezes precisam partir do zero. A próxima fase é a IA agêntica, com sistemas que atuam autonomamente a partir de instruções não estruturadas. A NTT Data criou um AI Office interno para conduzir essa transformação.
Evandro Armelin, head de Digital Technology da NTT Data, afirma que a maioria das empresas tenta encaixar IA aos processos existentes sem redesenhar o negócio. Para ele, o verdadeiro desafio não é técnico, mas organizacional, envolvendo modelo operacional e serviços.
Claudia Akemi Umemura, head de talento e transformação da mesma empresa, cita atraso na adoção por parte das organizações. Segundo ela, não basta implantar a ferramenta; é preciso preparar as pessoas e promover adesão real.
Transformação necessária
Armelin compara a implementação de IA a asfaltar uma estrada torta sem corrigir o traçado. O foco deve ser repensar processos, modelos operacionais e áreas de atuação, com a IA integrada de forma estratégica.
Uemura reforça a importância de programas de adoção com campeões voluntários, trilhas de aprendizado por função e uso da IA para esclarecer dúvidas. Cobrar retorno rápido antes de criar capacidade organizacional é considerado erro comum.
Governança e segurança
A executiva alerta para o risco do shadow AI, quando funcionários usam ferramentas públicas com dados da empresa sem controle. Segurança é prioridade, pois informações sensíveis podem ficar expostas. A solução envolve acordos com instâncias protegidas que não retreinam modelos com dados internos.
Vantagens por setor e próxima fronteira
Armelin aponta bancos, telecom e processadores de pagamento como setores com vantagem tecnológica para IA. Indústria pesada e varejo, por contraponto, costumam partir do zero. Cultura organizacional é decisiva para o sucesso, afirma.
Ele prevê avanço rumo à IA agêntica, capaz de agir e decidir com pouca intervenção humana. O impacto no emprego é real, porém não imediato, segundo o executivo, que adianta que a maior parte das atividades humanas pode ganhar papel diferente.
Caminho das empresas
Armelin reconhece que o desafio também envolve a própria empresa de consultoria: como incorporar IA no negócio interno após anos prestando serviços para clientes? A NTT Data informou ter criado um AI Office para conduzir essa transformação interna.
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