- O governo brasileiro pode encerrar subsídios aos preços de combustíveis se a cotação do petróleo ficar em torno de US$ 80 o barril, conforme sinalizado pelos EUA com o Irã para o fim do conflito no Oriente Médio.
- O secretário-executivo da Fazenda, Rogério Ceron, afirmou que os próximos trinta dias serão de observação para confirmar a consolidação desse cenário.
- Caso haja fim da guerra, as projeções de inflação devem melhorar e a austeridade monetária pode abrir espaço para mais inflação e diminuir a pressão sobre a dívida pública.
- As medidas de apoio a diesel, gasolina, querosene de aviação e gás de cozinha foram criadas em caráter emergencial desde o início da guerra; a maioria tem validade até julho e pode ser prorrogada.
- Ceron disse que, se o petróleo se estabilizar, não haveria necessidade de manter os subsídios, e citou que a desvalorização do dólar ao longo do tempo ajudou a atenuar parte da pressão inflacionária.
O governo brasileiro pode encerrar os subsídios a combustíveis caso a cotação do petróleo se estabilize perto de US$ 80 o barril. A afirmação foi feita pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, em entrevista à Reuters.
Segundo Ceron, a sinalização dos EUA com o Irã para o fim do conflito no Oriente Médio sustenta a possibilidade de encerramento das medidas de apoio. O objetivo é manter a inflação sob controle e abrir espaço para a flexibilização da política monetária pelo Banco Central, além de reduzir custos da dívida pública.
Os subsídios foram adotados desde o início da guerra entre EUA/Israel e Irã, no fim de fevereiro, e abrangem diesel, gasolina, querosene de aviação e gás de cozinha. As ações tiveram vigência inicial de dois meses e, em alguns casos, já foram prorrogadas. Ceron destaca que o prazo até julho deve permitir avaliar efeitos do eventual fim da guerra.
Contexto do petróleo e cenário fiscal
O secretário afirmou que, se o petróleo se estabilizar em US$ 80, não há necessidade de manter as medidas. O cenário depende também de a moeda brasileira reagir, já que o dólar caiu de cerca de R$ 5,20 para R$ 5,00, ajudando a conter a inflação.
Brent caiu para US$ 78,96 após rumores de acordo para encerrar o conflito e reabrir o Estreito de Ormuz. Economistas reduziram projeções de cortes de juros pelo BC, influenciados pela guerra no Irã, embora Ceron tenha dito que a inflação não seria pressionada se o conflito cessar.
Perspectivas econômicas
O governo projeta crescimento do PIB em 2,3% neste ano, na faixa de 2,0% a 2,5%, segundo Ceron. O mercado, porém, revisa para cima a expectativa de alta do PIB, próximo de 2%. As medidas de estímulo incluem concessões fiscais, garantias e linhas de crédito para caminhões e para motoristas de aplicativos, com impacto marginal na inflação.
Ceron também apontou que as medidas não configuram um estímulo de 2% do PIB, destacando desaceleração da atividade varejista. Ele ressaltou desafios fiscais e a necessidade de discutir a trajetória de despesas obrigatórias, sem adiantar propostas durante o período eleitoral.
Segundo o secretário, o patamar de juros elevado e a dívida pública não podem ser atribuídos apenas ao fiscal, considerando outros fatores como a poupança interna. Ele citou ainda que o Brasil deverá emitir novas títulos sustentáveis no segundo semestre, possivelmente em yuan, conforme anúncio em visita à China pelo ministro da Fazenda, Durigan.
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