- O Citi Institute estima que as ações tokenizadas vão liderar o mercado de ativos tokenizados até o fim de 2030, chegando a US$ 3,6 trilhões, contra US$ 1,4 trilhão em renda fixa e US$ 200 bilhões em fundos imobiliários. O mercado total pode alcançar US$ 5,5 trilhões.
- Hoje, títulos públicos representam cerca de 47% do universo de ativos tokenizados, enquanto ações respondem por pouco mais de 6%; até 2030, participação de renda fixa deve ficar em around 25% e ações acima de 60%.
- NYSE anunciou uma plataforma baseada em blockchain para negociar ações e ETFs tokenizados, com funcionamento 24/7 e liquidação quase instantânea; a Nasdaq recebeu autorização da SEC para negociar e liquidar em formato tokenizado ações do Russell 1000 e ETFs como S&P 500 e Nasdaq 100.
- No Brasil, a B3 promoveu o Tokenização Day para debater liquidação, interoperabilidade e segurança jurídica; a B3RL e outros projetos ligados à digitalização de ativos também foram destacados.
- O relatório aponta que as stablecoins devem ser infraestruturas-chave, com estimativa de US$ 2 trilhões até 2030, possibilitando liquidação rápida em redes blockchain e facilitando a tokenização de ativos.
O mercado global de ativos tokenizados tende a mudar o cenário até 2030, com ações negociadas em bolsa assumindo a liderança frente a títulos públicos, imóveis e private equity. A projeção é do Citi Institute, braço de pesquisas do Citi, em relatório divulgado hoje.
Segundo o estudo, o tamanho total do mercado pode chegar a US$ 5,5 trilhões até 2030, ante cerca de US$ 20 bilhões hoje. A expectativa é de que as ações tokenizadas respondam por US$ 3,6 trilhões desse total, crescendo de forma relevante frente aos demais ativos.
O levantamento aponta que, hoje, títulos públicos americanos representam quase metade do volume tokenizado, enquanto ações em bolsa respondem por pouco mais de 6%. O Citi antecipa alteração de mix, com renda fixa caindo para 25% e ações passando a superar 60%.
Cenário global de atuação e evolução tecnológica
A tokenização transforma bens reais ou financeiros em registros digitais, chamados de tokens, que permitem divisão em partes menores e negociação ágil. Dados da plataforma RWA.xyz indicam o setor movimentando cerca de US$ 32 bilhões, excluindo stablecoins.
Nos EUA, NYSE prepara uma plataforma baseada em blockchain para ações e ETFs tokenizados, com operação 24/7 e liquidação quase instantânea, sujeita a aprovação regulatória. A Nasdaq recebeu autorização da SEC para negociar e liquidar papéis tokenizados, inicialmente no Russell 1000 e ETFs.
Para o Citi, a entrada de grandes operadores, como NYSE, Nasdaq e DTCC, representa uma virada ao incorporar a infraestrutura tradicional de Wall Street à tokenização, indo além de projetos apenas cripto.
Dimensão regulatória e cenário brasileiro
No Brasil, a B3 promoveu o Tokenização Day, reunindo reguladores, startups e participantes para debater liquidação, interoperabilidade e segurança jurídica. A casa reiterou projetos de digitalização de ativos e o desenvolvimento da B3RL, a iniciativa de cripto de real.
A recente saída da BEE4 do sandbox da CVM sinaliza avanço regulatório: a plataforma, que negocia ações de pequenas e médias empresas por meio de tokens, passa a operar com regime definitivo, fortalecendo um dos primeiros ativos regulados no país.
Infraestrutura como alavanca e limites da transformação
O Citi destaca moedas digitais, especialmente stablecoins lastreadas em dólar, como infraestrutura de liquidação para o ecossistema tokenizado. Estima-se que o mercado global de stablecoins alcance até US$ 2 trilhões até 2030, facilitando compras e liquidações em redes blockchain.
Apesar do otimismo, o relatório ressalva que a tokenização não substituirá bancos, corretoras nem bolsas de valores. A expectativa é de coexistência entre plataformas tradicionais e soluções baseadas em blockchain, em uma evolução gradual da infraestrutura financeira.
Entre na conversa da comunidade