- Agro Sertão, criado em 2021, envolve 181 agricultores em 16 municípios do interior do Rio Grande do Norte, com 107 hectares de algodão agroecológico em 2026.
- A pluma agroecológica chega a até R$ 17 por quilo, frente cerca de R$ 3 da pluma convencional, e enfrenta desafios como bicudo-do-algodoeiro e clima seco para colher no tempo certo.
- A cadeia envolve compra da pluma pela TBM e aquisição do fio pela Riachuelo; em 2025 foram colhidas 36,9 toneladas de algodão agroecológico e já foram absorvidas 169 toneladas desde o início do projeto.
- Pró-Sertão, ativo desde 2011, mantém mais de noventa oficinas que geram empregos; na Zaya Confecções, em Cerro Corá, a Riachuelo compra cerca de 80% da produção.
- Um desafio é tornar o algodão agroecológico mais acessível ao consumidor, com possível mix de 80% ABR e 20% agroecológico; a Birro (Riachuelo) aponta que 98% do algodão usado tem certificação ABR, enquanto o agroecológico representa menos de 1% da operação.
O algodão agroecológico volta a ganhar espaço no interior do Rio Grande do Norte, conectando o campo à indústria têxtil. Em Cerro Corá, Seridó, projetos como Agro Sertão e Pró-Sertão estimulam toda a cadeia, da pluma às oficinas de costura, com apoio de instituições públicas e privadas.
Na propriedade de Mônica Alves, agricultora familiar, a área cultivada é de cerca de 1,3 hectare. O gado ainda é a atividade principal, respondendo por parte significativa do negócio, mas o algodão agroecológico tem atraído atenção pela remuneração. O quilo da pluma agroecológica chega a R$ 17, frente a cerca de R$ 3 da pluma convencional.
O Agro Sertão, criado em 2021 com parceria entre Embrapa, Sebrae-RN, prefeituras, Emparn, Fundação Banco do Brasil e o Instituto Riachuelo, já beneficia 181 agricultores em 16 municípios, com previsão de 107 hectares plantados em 2026. Em cinco anos, são 247 produtores atendidos e 169 toneladas de algodão agroecológico já absorvidas pela cadeia.
Desafios e manejo: praga e clima influenciam a produção. O bicudo-do-algodoeiro persiste como ameaça, exigindo defensivos naturais, biofertilizantes e vazio sanitário. O plantio ocorre entre fevereiro e março, com colheita no fim de maio, conforme o regime de chuvas. A produção é feita em áreas pequenas, mesclada a milho, feijão e outras culturas.
A compra do algodão fica assegurada pela parceria entre a TBM, que adquire a pluma, e a Riachuelo, que compra o fio produzido. A diretora de Sustentabilidade Taciana Abreu afirma que 100% da compra do algodão agroecológico produzido no projeto é garantida pela cadeia, mas o desafio é reduzir o custo para chegar ao consumidor com preço atrativo.
Além do Agro Sertão, existe o Pró-Sertão, programa do governo potiguar que sustenta oficinas de costura. Hoje, o programa reúne mais de 90 unidades dedicadas à formação de mão de obra para atender a indústria têxtil, com geração de empregos formais em 28 municípios.
A Zaya Confecções, em Cerro Corá, é exemplo de parceria: cerca de 80% da produção é comprada pela Riachuelo. A oficina emprega mais de 130 pessoas, e a margem líquida prevista para este ano fica em 5,5%. Bordadeiras de Timbaúba dos Batistas participaram do projeto que forneceu peças para as jaquetas da delegação brasileira na abertura dos Jogos Olímpicos de Paris, em 2024.
No caso da Riachuelo, 98% do algodão utilizado na Fábrica Guararapes, em Natal, tem certificação ABR, mas o algodão agroecológico representa menos de 1% da operação. A empresa avalia misturas de algodão agroecológico com matéria-prima convencional para ampliar a presença no portfólio, buscando equilíbrio entre preço e responsabilidade social.
O objetivo é ampliar o uso de pluma sustentável sem deixar de assegurar remuneração justa a toda a cadeia produtiva. A iniciativa também foca na educação e na comunicação sobre as vantagens do algodão agroecológico, além de buscar conta com fornecedores que assegurem qualidade e consistência.
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