- O café solúvel ficou de fora da isenção dos novos tarifaços dos EUA, ao contrário de cafés em grão, torrado e moído.
- A Abics levará o caso a uma audiência pública em Washington no dia 6 de julho, buscando reverter a sobretaxa.
- Se confirmadas, as tarifas para o solúvel podem chegar a 37,5% no mercado americano; a versão aromatizada também foi beneficiada pela isenção.
- A audiência terá duração curta: cada participante tem três minutos para apresentação, com manifestações por escrito até 1º de julho.
- Em 2024, o Brasil respondeu por 37% do volume de café solúvel importado pelos EUA; hoje o setor busca argumentos sobre possível erro de classificação e impacto econômico nos EUA.
O setor brasileiro de café solúvel vai aos Estados Unidos para tentar reverter tarifas que podem chegar a 37,5%. A audiência pública está marcada para 6 de julho, em Washington, com a Abics preparando manifestação escrita até 1º de julho. A tentativa ocorre na esteira de nova rodada de tarifas promovida pela administração Trump.
O café solúvel é o único tipo que ficou fora da lista de isenções dos tarifaços propostos. Cafés em grão, torrado e moído permaneceram beneficiados pela isenção, enquanto o solúvel não. A Abics aponta possível falha na classificação de códigos e questiona o objetivo do governo americano de reindustrializar o setor.
1º de junho foi anunciada a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, após investigação sobre desmatamento, pirataria e PIX. Em 2 de junho, o governo acrescentou tarifas adicionais de 12,5% para 60 países, incluindo o Brasil. A lista de isenções já existente beneficia boa parte dos cafés, mantendo o solúvel fora.
A Abics avalia que a interpretação dos códigos pode ter sido incorreta e sustenta a hipótese de que, mesmo com maior produção local, os EUA continuariam importando matéria-prima. A entidade também aponta que a indústria de solúvel envolve investimentos que levam anos para se instalar no país.
Dados indicam que, no maior trecho de 2024, o Brasil representou 37% do volume de café solúvel importado pelos EUA, reforçando a relevância do mercado brasileiro. A entidade pretende defender argumentos por escrito e na audiência, buscando evitar o aumento da tributação.
Para justificar a participação, Aguinaldo Lima, executivo da Abics, destaca que grande parte da cadeia de valor do solúvel é estabelecida nos EUA, com envasamento e distribuição realizados localmente, o que gera empregos no país. Essa ligação econômica é apresentada como elemento a ser considerado na avaliação das tarifas.
A audiência pública ocorre em meio à possibilidade de novas medidas tarifárias norte-americanas, com o prazo de 1º de julho para manifestações oficiais. Caso as tarifas entrem em vigor, o impacto de 37,5% pode acentuar perdas para o setor brasileiro, que lidera as exportações de café solúvel para aquele mercado.
Entre na conversa da comunidade