- A CNA contesta a estimativa do governo de 140 bilhões de reais para a renegociação de dívidas de produtores rurais, dizendo que o número é exagerado.
- A entidade afirma que a renegociação busca proteger a produção de alimentos, empregos e a economia, evitando um prejuízo sistêmico, não sendo apenas uma transferência de risco privado para o Estado.
- O objetivo é ajudar pequenos e médios produtores afetados por juros altos, oferecendo condições de pagamento mais próximas das originalmente contratadas, com a Selic em 14,25% ao ano.
- A CNA discorda da ideia de que o agronegócio recebe mais privilégios tributários; diz que mais da metade das isenções relacionadas ao setor decorre da desoneração da cesta básica e que exportações respondem por parte das isenções, estimando que o agro representa 14,9% das renúncias fiscais.
- O Senado aprovou o projeto de renegociação de cerca de 180 bilhões de reais em dívidas, com impacto previsto de até 140 bilhões de reais nas contas públicas em dez anos; a proposta segue para análise da Câmara dos Deputados, em meio ao debate sobre o Plano Safra e benefícios tributários.
A CNA contesta a estimativa do governo de que o projeto aprovado no Senado para renegociar dívidas de produtores rurais custará até R$ 140 bilhões aos cofres públicos. Em entrevista ao UOL, a confederação afirmou que o número é superestimado e defendeu a medida como essencial para a economia nacional.
Segundo Renato Conchon, coordenador do núcleo econômico da CNA, o custo real seria menor e não representaria apenas uma transferência de risco para o Estado. A entidade afirma que a renegociação busca proteger a produção de alimentos, empregos e a atividade econômica do país.
O objetivo da proposta é preservar condições de pagamento mais próximas às contratadas originalmente, considerando a Selic em 14,25% ao ano. A CNA ressalta que pequenos e médios produtores são o foco da medida e que o custo elevado atual pressiona a saúde financeira do setor.
A CNA discorda de críticas de que o agronegócio recebe privilégios tributários acima de outros setores. A entidade aponta que grande parte das isenções está ligada à desoneração da cesta básica e às exportações, para manter a competitividade brasileira no exterior.
Dados da Receita Federal indicam que o agro representa 14,9% das desonerações fiscais no Brasil, com R$ 612,84 bilhões desonerados para todos os setores em 2026, sendo R$ 91,61 bilhões do setor rural. Já a Dirbi mostra R$ 158,3 bilhões em 2024 para o agronegócio, dentro de um total de R$ 419,94 bilhões.
A CNA também contesta a avaliação de que o lucro do Banco do Brasil recuou 45% em 2025 por inadimplência no agronegócio, afirmando que o resultado foi infl uenciado por nova regra contábil que alterou provisões de calotes.
A entidade aponta que a crise financeira do setor decorre de mudanças climáticas, aumento de custos e juros elevados, que, em alguns casos, comprometem a rentabilidade das safras. O seguro rural, segundo a CNA, frustrou cobertura em 2025, atingindo apenas três milhões de hectares dos 70 milhões cultivados.
O que está em jogo
O Senado aprovou, em junho, projeto que permite renegociação de cerca de R$ 180 bilhões em dívidas de produtores rurais. A proposta prevê substituição de débitos antigos por novos financiamentos com juros menores, com uso de recursos do Fundo Social do Pré-Sal para viabilizar a operação.
A estimativa do impacto nas contas públicas é de até R$ 140 bilhões ao longo de dez anos, segundo o Ministério da Fazenda. O texto segue para análise da Câmara dos Deputados.
O debate ocorre em meio ao Plano Safra, que subsidia parte dos juros de financiamentos para o custeio e investimento no campo. Na safra 2025/2026, o volume total chegou a R$ 605 bilhões, com parte crescente proveniente de LCA.
Defensores da renegociação afirmam que a medida é necessária diante de eventos climáticos extremos, custos elevados e juros altos. Opponentes do projeto argumentam que a ampliação dos gastos públicos pode transferir riscos ao Estado.
Entre na conversa da comunidade