- SpaceX estreou na bolsa Nasdaq na última semana; preço inicial foi US$135, subiu para US$150 no dia seguinte e atingiu US$ 160,95 no terceiro pregão, avaliando a empresa em US$ 2,1 trilhões.
- Cerca de US$ 15 bilhões vieram de investidores de varejo, e a SpaceX reservou 30% de ações para o público, o triplo do que costuma ocorrer em grandes IPOs.
- Dados da Vanda Research mostraram que, nos três primeiros pregões, o varejo comprou US$ 369,8 milhões em SpaceX, equivalente a compras de grandes ações de Nvidia, Google, Amazon, Microsoft, Meta e ETFs combinados.
- A empresa chegou a máxima histórica de US$ 225,64 em 16 de junho, mas recuou para cerca de US$ 190; analistas ressaltam que não é meme stock, com ETFs espaciais registrando fluxo modesto.
- Morningstar estima valor justo de US$ 780 bilhões; SpaceX teve prejuízo líquido de US$ 4,28 bilhões no primeiro trimestre de 2026; Musk controla 42% do capital e 85% dos votos, gerando preocupações sobre governança.
A SpaceX, empresa de foguetes e satélites de Elon Musk, abriu seu capital na Nasdaq na última semana, atraindo forte interesse de investidores de varejo. As ações começaram em US$ 135, subiram para US$ 150 no segundo dia e alcançaram US$ 160,95 no terceiro pregão, marcando valorização de quase 20%.
A empresa reservou 30% das ações para o público geral, o que supera a média de 5% a 10% em grandes IPOs. Dados da Vanda Research indicam que, nos três primeiros pregões, os pequenos investidores compraram US$ 369,8 milhões em SpaceX, equivalente ao volume de gigantes como Nvidia, Google, Amazon, Microsoft, Meta e dois ETFs.
Essa demanda vem acompanhada de um fluxo de rotatividade entre ativos de Musk: desde a estreia, investidores de varejo vendem ações da Tesla em termos líquidos, sugerindo possível migração de capital entre ativos vinculados ao fundador.
Mercado e investimentos
A avaliação da SpaceX já chegou a US$ 2,1 trilhões, estabelecendo o maior IPO já registrado. Cerca de US$ 15 bilhões da captação vieram de investidores de varejo, segundo Nelson Griggs, presidente da Nasdaq, que chamou a proporção de “maior que a maioria dos IPOs”.
Entretanto, analistas divergem sobre a sustentabilidade da aposta. A Morningstar estima o valor real da empresa em US$ 780 bilhões, cerca de 55% abaixo da avaliação de estreia, citando prejuízos no primeiro trimestre de 2026 e perdas de US$ 4,94 bilhões em 2025.
Perspectivas e governança
A SpaceX registrou prejuízo líquido de US$ 4,28 bilhões no 1º trimestre de 2026 e admite histórico de prejuízos no prospecto de abertura. A principal linha de peso é a divisão de inteligência artificial, resultante da fusão com a xAI, concluída em fevereiro de 2026 por US$ 1,25 trilhão.
Musk detém cerca de 42% do capital e controla 85% dos votos por meio de ações de dupla classe, limitando o poder de acionistas minoritários. Especialistas sinalizam risco de concentração de tecnologia no índice S&P 500 caso novas gigantes entrem na bolsa no mesmo período.
Desdobramentos e próximos passos
A aposta no “FAB 10” — incluindo as grandes tecnológicas Magnificent 7, SpaceX, OpenAI e Anthropic — é vista pela Vanda Research como mudança estrutural no mercado americano. O próximo grande marco será o release de resultados trimestrais da SpaceX como companhia aberta, em agosto, quando insiders poderão começar a vender ações.
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