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Brasil pode chegar a 10% da produção mundial de terras raras, diz especialista

Brasil pode saltar de menos de 1% para quase 10% da produção de terras raras, se superar gargalos regulatórios, de investimento e agregação de valor

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  • O Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo (cerca de 23%), mas produziu menos de 1% da demanda global em 2024, que foi de cerca de 390 mil toneladas.
  • Segundo a especialista Rafaela Guedes, se os projetos em desenvolvimento forem aprovados, a produção brasileira pode chegar a quase 10% da oferta global.
  • O país tem vantagens como abundância de recursos, energia renovável, disponibilidade hídrica e boa posição diplomática, mas precisa acelerar investimento e agregado de valor com segurança jurídica estável.
  • O debate envolve criar um arcabouço regulatório, facilitar licenciamento e oferecer incentivos para atrair mineração de minerais estratégicos, com foco em planejamento regional e mão de obra qualificada.
  • O tema é discutido no Energy Summit, no Rio de Janeiro, de 23 a 25 de junho, em meio a consenso de que a China domina o processamento mundial acima de 90%.

O Brasil pode sair de menos de 1% para quase 10% da produção mundial de terras raras, segundo a especialista Rafaela Guedes. Ela aponta reservas estratégicas e a oportunidade de ampliar participação no mercado global.

Atualmente, o país detém a segunda maior reserva mundial de terras raras, com cerca de 23% do total. Em 2024, a produção ficou abaixo de 1% da demanda global, estimada em aproximadamente 390 mil toneladas.

Rafaela Guedes, com mais de 20 anos de atuação em minerais críticos e transição energética, avalia que projetos em desenvolvimento podem alavancar a produção brasileira e reduzir dependência de países que hoje concentram o processamento.

A opinião da especialista integra o Energy Summit, evento no Rio de Janeiro de 23 a 25 de junho, com parceria do Estadão. O encontro deve reunir mais de 12 mil participantes, 3,3 mil empresas e 300 palestrantes.

Potencial e próximos passos

Para transformar o potencial geológico em protagonismo global, o Brasil precisa acelerar investimentos, inovação e agregação de valor na cadeia de mineração. A região do Jequitinhonha já produz lítio e há avanços em terras raras.

Segundo Guedes, o ambiente regulatório é crucial. A aprovação de leis que ofereçam previsibilidade e incentivos pode estimular a entrada de financiamento, inclusive por meio de bancos públicos.

A pesquisadora enfatiza a importância de uma licença social para operar, de capacitação de mão de obra e de estratégias de inovação próximas a universidades, ao Sistema S e ao setor privado.

Desafios regulatórios e de infraestrutura

Ela cita a necessidade de regras estáveis para atrair investidores, principalmente de empresas junior mining, que iniciam a exploração. Garantias, de crédito e de retorno, são temas centrais para viabilizar projetos.

Outro ponto destacado é o licenciamento ambiental ágil, aliado a práticas de reúso de água, monitoramento e recuperação de áreas. O objetivo é reduzir impactos e ampliar a confiança de comunidades locais.

Sustentabilidade e governança

A especialista defende normas de rastreabilidade, descarbonização e governança ética. Selos regulatórios podem exigir práticas de responsabilidade social, respeito a comunidades e proteção de biomas locais.

Guedes ressalta que tecnologias como inteligência artificial vão redesenhar a mineração. Novas leituras geológicas, modelos preditivos e monitoramento remoto devem acelerar etapas iniciais com maior eficiência.

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