- Brasil tem a segunda maior reserva mundial de terras raras, estimada em cerca de 23%, mas produziu menos de 1% da demanda global em 2024, que somou cerca de 390 mil toneladas.
- Se os projetos em desenvolvimento forem aprovados, a produção brasileira pode chegar a quase 10% da oferta global, reduzindo a dependência de processamento na China, responsável por mais de 90% do segmento.
- Vantagens do Brasil incluem geologia favorável, energia renovável, disponibilidade hídrica e posição diplomática neutra para negócios; o desafio é atrair investimentos e agregar valor com um regulamento estável.
- Dentre os gargalos estão incentivos, licenciamento ágil, disponibilidade de financiamento, qualificação da mão de obra e licença social para operar com participação local e planejamento regional.
- Em cenário otimista, a produção pode passar de menos de mil toneladas para cerca de 38 mil toneladas, elevando a participação do Brasil no mercado mundial de terras raras e exigindo também foco em rastreabilidade e mineração responsável.
Brasil pode subir de menos de 1% para quase 10% da produção mundial de terras raras, aponta especialista. Rafaela Guedes, consultora de minerais críticos, afirma que o país detém reservas estratégicas para ampliar o peso no mercado global.
Hoje o Brasil abriga a segunda maior reserva de terras raras do mundo, com 23% do acervo global. Entretanto, em 2024 produziu menos de 1% da demanda global, estimada em cerca de 390 mil toneladas.
A projeção é de que, se projetos em desenvolvimento forem aprovados, a produção brasileira possa chegar a quase 10% do total mundial nos próximos anos. O objetivo é reduzir a dependência de países que concentram o processamento.
A China concentra mais de 90% do processamento dessas terras raras, o que reforça a busca por diversificação. Guedes destaca que o Brasil tem vantagens únicas, como recursos abundantes, energia renovável e boa relação diplomática.
Além de reservas, o Brasil tem energia renovável e disponibilidade hídrica. Esses fatores ajudam a reduzir a pegada de carbono da cadeia de produção de minerais críticos, segundo a especialista.
O desafio é transformar riqueza geológica em desenvolvimento econômico, enfatiza. Entre as ações citadas, estão acelerar investimentos, inovação e agregação de valor na cadeia produtiva.
Para avançar, é essencial criar incentivos estáveis. Um arcabouço jurídico sólido facilita a atração de investimentos e a atuação de empresas de pequeno e médio portes voltadas para exploração mineral.
Um exemplo citado é a necessidade de garantias para captação de recursos, como acesso a financiamento via BNDES, sem exigir garantias que atrapalhem o primeiro empreendimento. Regulamentação previsível é essencial.
Guia para a atratividade inclui licenciamento ágil, licenças ambientais bem definidas, incentivos para mineração de alto valor agregado e conteúdo local com planejamento de longo prazo.
A especialista ressalta a importância de incentivar a agregação de valor no Brasil, não apenas exportar minério. Também é essencial manter equilíbrio entre regulação e inovação para não sufocar investimentos.
Sobre o entorno social, Guedes aponta que royalties ou participação nos resultados devem, no mínimo, ser revertidos para educação, saúde e fortalecimento do serviço geológico nacional.
A transferência de recursos para educação e pesquisa é vista como forma de mitigar riscos e aumentar a transparência dos dados geológicos, fortalecendo a confiança de investidores.
Outro pilar é o licenciamento social para operar. A empresa precisa ouvir as comunidades, empregar mão de obra local e apoiar infraestrutura regional, ampliando ganhos diretos.
A “maldição dos recursos” é citada como risco estrutural: a cidade depende da mineração enquanto a operação acontece, e precisa de fontes de renda alternativas para o pós-mineração.
As novas mineradoras devem adotar operações mais limpas, com reúso de água, recuperação de solo, monitoramento constante e mão de obra local, conforme o planejamento regulatório.
A visão é de mineração sustentável, com governança robusta, rastreabilidade e conformidade com padrões internacionais, evitando impactos socioambientais graves.
As tecnologias, como inteligência artificial, devem redesenhar cadeias produtivas. Novas leituras geológicas, imagens por satélite e modelos preditivos ajudam a antecipar áreas de exploração.
Guedes enfatiza que o Brasil pode adaptar tecnologias globais à sua realidade, incentivando ecossistemas de inovação próximos a empresas, universidades e órgãos públicos.
O Energy Summit, promovido em parceria com o Estadão, reúne mais de 12 mil participantes, 3,3 mil empresas e 300 palestrantes entre 23 e 25 de junho, no Rio de Janeiro.
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