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Brasil tem segunda maior reserva de terras raras, aponta estudo

Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras, com 23,1% dos recursos globais; estudo aponta 20% da produção mundial até 2040, condicionado por políticas públicas

— Foto: Bloomberg
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  • Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do planeta, com cerca de 23,1% dos recursos globais conhecidos, aponta estudo do Centro Brasileiro de Relações Internacionais encomendado pelo Ministério de Minas e Energia.
  • Terras raras são usadas em turbinas eólicas, veículos elétricos, sistemas de armazenamento de energia e defesa; o material ganhou importância em discussões de segurança econômica e transição energética.
  • O estudo indica que, se confirmados os projetos até 2030, o Brasil pode produzir 35 mil toneladas de concentrado de terras raras nos primeiros anos da década, o equivalente a 10% da produção mundial; a meta para 2040 é chegar a cerca de 75 mil toneladas por ano, ou 20% da produção global projetada.
  • O investimento estimado para instalar uma planta de separação com capacidade de 25 mil toneladas de óxidos por ano é de US$ 1,65 bilhão; os cenários mostram retorno ao acionista variando entre 11,8% ao ano (conservador) e 16,5% com políticas públicas adequadas.
  • O estudo afirma que a diferença entre projeto viável e inviável depende de políticas públicas, incluindo subvenção parcial, depreciação acelerada e alívio tributário; ressalva que o potencial depende de licenciamento, capital e viabilização das rotas de processamento.

O Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo, segundo estudo técnico encomendado pelo Ministério de Minas e Energia (MME) ao Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri). Aproximadamente 23,1% dos recursos globais conhecidos desse grupo de minerais estariam no território brasileiro. As terras raras são utilizadas em turbinas eólicas, veículos elétricos, baterias e sistemas de defesa.

O MME destaca que o material ocupa posição central em questões de segurança econômica, competitividade industrial e transição energética. Em nota publicada nesta sexta-feira (19), o ministério afirma que o debate foi antecipado para subsidiar uma estratégia nacional voltada à cadeia de valor e à presença brasileira em segmentos de maior valor agregado.

Rafaela Guedes, senior fellow do Cebri, aponta que o estudo mostra competitividade do Brasil, com potencial para produção de terras raras já na primeira metade da década. Em cenários projetados até 2030, o país poderia alcançar 35 mil toneladas de concentrado, equivalentes a 10% da produção mundial, conforme a especialista.

A projeção para 2040 aponta cerca de 75 mil toneladas anuais, o que corresponderia a 20% da produção global prevista. Entretanto, Guedes ressalta que o potencial depende de licenciamento, capital e viabilização de processos. Por isso, reforça a necessidade de uma estratégia institucional.

Potencial financeiro e condições de investimento

O estudo estima um investimento de cerca de US$ 1,65 bilhão para montar uma planta de separação com capacidade de 25 mil toneladas de óxidos por ano. Em três cenários, a unidade operaria por 20 anos, com retorno ao acionista variando conforme o cenário.

No cenário conservador, com preços chineses de referência e a tributação vigente, o retorno seria de 11,8% ao ano, com payoff em pouco mais de dez anos. Os números, contudo, ficam no limite para atrair investimentos privados, aponta o relatório.

A conclusão aponta que a viabilidade depende de políticas públicas. Entre elas, o documento cita subvenção parcial de investimento, depreciação acelerada e alívio tributário, que poderiam elevar o retorno a 16,5% ao ano.

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