- O Ministério de Minas e Energia apresentou um estudo inédito, elaborado em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento e o Centro Brasileiro de Relações Internacionais, para orientar a Estratégia Nacional de Terras-Raras (divulgação realizada em 19 de junho de 2026).
- O Brasil possui a segunda maior reserva mundial, com 21 milhões de toneladas, correspondentes a 23,1% dos recursos globais; a China é a líder.
- O foco econômico está em quatro elementos: neodímio, praseodímio, disprósio e térbio, essenciais para ímãs de alto desempenho em motores elétricos e turbinas eólicas.
- A estratégia prevê três fases: curto prazo (mineração organizada e conhecimento geológico), médio prazo (aumento da capacidade de separação e refino e polos regionais) e longo prazo (indústria integrada e reciclagem), com necessidade de previsibilidade regulatória e harmonização entre União e Estados.
- Atualmente, há projetos com investimentos anunciados de R$ 13,2 bilhões; há potencial para adicionar 38.700 toneladas de óxidos de terras-raras ao mercado mundial, equivalente a 10% da produção global estimada para 2025.
O Ministério de Minas e Energia apresentou na sexta-feira, 19 de junho de 2026, um estudo inédito para subsidiar a Estratégia Nacional de Terras-Raras. O documento orienta decisões sobre aproveitamento econômico e neoindustrialização.
A pesquisa, realizada pelo MME em parceria com o BID e o Cebri, analisa a cadeia produtiva e propõe diretrizes para que o Brasil ultrapasse o papel de exportador de matéria-prima.
O estudo aponta que o Brasil detém a 2ª maior reserva global, com 21 milhões de toneladas, representando 23,1% dos recursos mundiais, atrás apenas da China.
Apesar da riqueza geológica, a indústria nacional enfrenta limitações de capacidade produtiva, sobretudo na etapa de processamento químico, hoje dominada por empresas chinesas.
POTENCIAL E GARGALOS
As terras-raras englobam 17 elementos, indispensáveis para tecnologias digitais e defesa. Neodímio, praseodímio, disprósio e térbio são os foco atuais, usados em ímãs para motores de veículos elétricos e turbinas.
A cadeia de produção é dividida em mineração (upstream), separação e refino (midstream) e manufatura de componentes (downstream). A mineração é competitiva, especialmente em Goiás e Minas Gerais, mas o processamento químico é quase ausente no Brasil.
A dependência externa no elo intermediário é apontada como principal fragilidade. O Cebri alerta que a vantagem geológica isolada não garante posição nas cadeias globais de suprimento.
EIXOS DA ESTRATÉGIA
No curto prazo, a prioridade é organizar a mineração, ampliar o conhecimento geológico e estruturar instrumentos financeiros para reduzir riscos aos investidores.
No médio prazo, o objetivo é ampliar a capacidade de separação e refino, criando polos regionais integrados a setores como mobilidade elétrica e energia renovável.
No longo prazo, a meta é consolidar uma indústria integrada, com extração até fabricação de componentes avançados e magnetos, além de programas de reciclagem.
A estratégia enfatiza a necessidade de previsibilidade regulatória, incluindo licenciamento de projetos afetado pela radioatividade natural (NORM).
A harmonização entre União e estados é indicada como condição estrutural para avançar na cadeia. Incentivos tributários e crédito ampliado são citados como medidas para viabilizar refinarias.
Projetos já anunciados somam aproximadamente R$ 13,2 bilhões, com potencial de acrescentar 38.700 toneladas de óxidos de terras-raras ao mercado mundial, equivalente a 10% da produção prevista para 2025.
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