- O Pure Alpha, principal fundo macro da Bridgewater, teve retorno recorde em 2025, enquanto a gestora reduziu ativos para cerca de US$ 102 bilhões após a reestruturação liderada pelo CEO Nir Bar Dea.
- Mesmo com o desempenho, alguns acionistas institucionais venderam parte de suas ações de volta à Bridgewater com desconto, reduzindo o valuation da empresa.
- O Teacher Retirement System of Texas também busca vender participação após cortar o valor de sua posição em 9% no ano passado.
- O fundo soberano de Brunei retirou dinheiro de uma estratégia da Bridgewater para comprar quase 20% da própria gestora; a família Koch e o Omers já haviam vendido parte de suas ações no fim de 2023 e Ray Dalio vendeu o restante no ano passado.
- A reorganização expõe tensões entre os investidores de participação (GPs) e os investidores limitados (LPs), enquanto o Pure Alpha mira ampliar a taxa de probabilidade de retorno dentro de sua meta.
Bridgewater Associates, maior hedge fund do mundo, passa por reorganização de ownership após redução de valuation e saída de investidores. O movimento ocorre mesmo com retorno recorde do fundo macro principal em 2025, em meio à reestruturação liderada pelo CEO Nir Bar Dea.
A estratégia de Bar Dea envolve manter o Pure Alpha, a principal linha do fundo, em uma escala menor e mais focada. Mesmo com desempenho em alta, a gestão admite que menor volume de ativos pode afetar as receitas de taxas, impactando o valuation das participações.
Dois dos sete acionistas institucionais venderam suas ações de volta à Bridgewater com desconto ao preço de compra, segundo fontes familiarizadas com o tema. Um terceiro investidor, o Teacher Retirement System of Texas, também busca vender parte de sua fatia após reduzir o valor da posição no ano anterior.
Entre os que liquidaram parte dos ativos estão a Koch Industries, associada à família Koch, e o Ontario Municipal Employees Retirement System (Omers), segundo pessoas com conhecimento direto das operações. O condomínio de vendas ocorreu no fim de 2024 e início de 2025, sem anúncio público prévio.
Paralelamente, Ray Dalio vendeu o restante de sua participação na Bridgewater no ano passado, segundo informações divulgadas pela imprensa financeira. A fundação seguir conservando participação, mas em termos menores do que anteriormente.
O ADIC, fundo soberano de Abu Dhabi, chegou a considerar a venda de ações, contudo decidiu permanecer investido após avaliação de portfólio. A decisão reflete a tensão entre LPs e GPs na gestão de ativos alternativos, que buscam liquidez sem prejudicar retornos.
De forma geral, a Bridgewater reduziu o tamanho total da firma para cerca de US$ 102 bilhões em ativos sob gestão, para tentar melhorar a disciplina de custos e a qualidade de execução. O Pure Alpha registrou ganho de 34% em 2025 até o momento, impulsionando a performance global.
Especialistas apontam que a mudança de ownership pode testar a viabilidade de uma Bridgewater mais enxuta, com maior foco em rentabilidade líquida e taxas estáveis. Questionamentos sobre o equilíbrio entre desempenho dos fundos e estruturas de cobrança persistem entre investidores.
A gestão afirma que a mudança de estratégia foi necessária para enfrentar o desafio de manter desempenho elevado em uma base de ativos menor, mantendo a governança e a alocação de recursos. Não houve comentários oficiais adicionais por parte da Bridgewater ou dos investidores citados.
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