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PEC da jornada flexível ganha força da oposição contra fim da escala 6×1

PEC da jornada flexível ganha força com apoio de entidades empresariais; oposição e governo duelam sobre impactos setoriais

Empresariado defende adoção de PEC da jornada flexível, apresentada pelo senador Rogério Marinho, em vez de PEC do fim da escala 6"1, da deputada Érika Hilton (Foto: Geraldo Magela (Érika Hilton) e Andressa Anholete (Rogério Marinho)/Agência Senado)
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  • A PEC da jornada flexível, de Rogério Marinho, ganha força após carta de 3 mil entidades empresariais que representam cerca de 90% do PIB.
  • O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, trabalha a possibilidade de incorporar parte do texto da oposição à PEC do fim da escala 6×1, de forma conjunta.
  • A Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil diz que a jornada flexível mantém a CLT como porto seguro e permite contrato por horas efetivamente trabalhadas, com salário proporcional.
  • A PEC do fim da escala 6×1, aprovada pela Câmara, reduz a jornada de 44 para 40 horas semanais, com dois dias de descanso semanal.
  • Estudos apontam impactos negativos da 6×1, como queda de empregos e inflação; a CACB afirma que a jornada flexível oferece opções sem elevar custos obrigatórios.

A disputa sobre a jornada de trabalho está no centro do debate no Senado. A chamada PEC da jornada flexível, de autoria do senador Rogério Marinho (PL-RN), ganha força frente à PEC que acabaria com a escala 6×1, proposta pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) e apoiada pelo governo Lula. Associações empresariais defendem a flexibilização, enquanto a oposição vê risco de desestruturação produtiva.

Grupo de 3 mil entidades empresariais, que representam cerca de 90% do PIB e geram mais de 40 milhões de empregos, pediu ao Senado, no dia 9, o avanço da PEC da jornada flexível. A presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), analisa a incorporação de parte do texto oposicionista à PEC da 6×1, evitando substituir uma pela outra, mas buscando uma junção.

Para a CACB, a jornada flexível preserva o regime da CLT como porto seguro e oferece opção de contrato por hora trabalhada. A entidade argumenta que a mudança atende à diversidade setorial e mantém direitos como FGTS, 13º, férias com adicional e aviso prévio proporcionais à jornada efetiva.

O que propõe a PEC da jornada flexível

A proposta insere três parágrafos no inciso XIII do artigo 7º da Constituição. Ela permite negociação individual ou por acordo coletivo por hora, com o contrato individual prevalecendo em relação aos instrumentos coletivos. A remuneração por hora deve respeitar o salário mínimo ou o piso da categoria, com benefícios proporcionais à carga horária.

A PEC também autoriza, quando houver opção pela hora trabalhada, que a proporcionalidade atinja FGTS, 13º salário e férias conforme a jornada efetiva. Por fim, a jornada pode ser flexível desde que não ultrapasse 44 horas semanais.

Marinho afirma que a medida resgata o espírito constitucional, que, segundo ele, tem sido atacado pelo projeto que restringe acordos individuais. A oposição sustenta que a flexibilidade é necessária diante da diversidade de atividades no país.

O que propõe a PEC do fim da escala 6×1

A PEC do fim da escala 6×1 reduz a jornada de 44 para 40 horas semanais, com duas folgas consecutivas, configurando uma escala de 5×2. O texto prevê 60 dias após a promulgação para queda de 44 para 42 horas e 12 meses depois para 40 horas.

A medida, aprovada pela Câmara em 27 de maio, tem apoio de lideranças e do presidente da Casa, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB). Os impactos econômicos são tema de debate entre especialistas e empresários.

Estudos e impactos esperados

Diversos estudos apontam riscos de inflação, desemprego e queda no PIB com a adoção da escala 6×1 segundo o desenho da PEC governista. A CACB destaca ainda que o custo de mão de obra pode subir, levando a repasse de custos para o consumidor, especialmente em micro e pequenas empresas.

Em contrapartida, a PEC da jornada flexível é vista como benéfica para setores com sazonalidade, como comércio, turismo e serviços. A CACB sustenta que a flexibilização amplia opções sem impor aumento perene na folha de pagamento, preservando direitos já assegurados pela CLT.

Observações sobre a negociação

A CACB ressalta que a negociação flexível não obriga trabalhadores a aderirem ao regime flexibilizado: quem preferir permanece na CLT. A entidade aponta necessidade de segurança jurídica para evitar passivos trabalhistas caso a negociação resulte em litígios.

O governo e a oposição devem analisar propostas com foco na produtividade, no equilíbrio entre flexibilidade e proteção de direitos, e na viabilidade econômica das mudanças para diferentes setores da economia. Fontes indicam que o tema segue em tramitação no Senado, com avaliações de impacto ainda em curso.

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