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Ex-diretor do BC diz que governo precisa ajustar fiscal e meta de inflação a 4,5%

Ex-diretor do BC sustenta ajuste da meta de inflação para 4,5% e correção do fiscal; Copom deve tornar públicos seus modelos e manter independência.

Copom, do Banco Central, comemora 30 anos
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  • Ex-diretor de Política Econômica do Banco Central, Sérgio Werlang, defende que a meta de inflação seja ajustada para 4,5% e esteja alinhada com a realidade econômica do país.
  • Ele ressalta a necessidade de maior clareza nas decisões do Copom e sugere adotar modelo de controle externo similar ao utilizado pelo Banco da Inglaterra.
  • Werlang relembra a evolução do Copom nas três décadas, destacando que votos divergentes já ocorreram e que não é obrigatório seguir a maioria.
  • O economista afirma que é preciso acertar o fiscal antes de mudar a meta; sustenta que apenas alterar a meta sem ajuste fiscal não funciona.
  • Diz que a meta atual de 3% defendida por Ilan Goldfajn é inadequada e que seria útil tornar públicos os modelos do Copom e incluir opiniões independentes.

O ex-diretor de Política Econômica do Banco Central, Sérgio Werlang, defende ajustar a meta de inflação do Brasil para 4,5% e tornar as decisões do Copom mais transparentes. Ele também sugere incorporar vozes externas ao colegiado para evitar viés internalizado.

Em entrevista ao Estadão/Broadcast, Werlang ressaltou que a meta precisa refletir a realidade da economia doméstica. O ex-diretor lembrou episódios históricos do Copom e avaliou a importância de diversificar perspectivas dentro do BC para decisões de juros.

Werlang citou o modelo adotado pelo Banco da Inglaterra, que trabalha com participantes externos. Ele destacou que hoje as atas e comunicações evoluíram, mas defendeu que o Copom tente tornar os modelos usados mais acessíveis e compreensíveis ao público.

Contexto histórico e funcionamento do Copom

O economista relembra a criação do Copom, nos anos 1990, como marco de comunicação sobre política monetária. Segundo ele, as atas passaram a ser públicas e as discussões mais transparentes, com o objetivo de explicar impactos na taxa de juros.

Ele aponta que, no passado, houve divergência entre diretores da autoridade monetária e que o voto nominal só passou a ocorrer com o tempo. Hoje, a possibilidade de discordar dentro do Copom é considerada natural pelo mercado.

Perspectivas sobre metas, fiscalização e propostas futuras

Sobre a meta de 3% discutida em governos anteriores, Werlang diz que ajustá-la sem revisar a trajetória fiscal seria inadequado. Acredita que, para retornar a 4,5%, é necessário equilíbrio fiscal antes de qualquer mudança formal.

O ex-diretor ainda recomenda aperfeiçoamentos institucionais, como divulgação de modelos do Copom e a inclusão de uma opinião independente no grupo, semelhante a sistemas externos usados em outros países.

Observações finais sobre o Copom contemporâneo

Werlang afirma que o Copom é uma instituição útil que nasceu para responder a necessidades de uma economia com inflação volátil. Mesmo sem opinião pública, ele defende continuidade da prática de respectivos votos divergentes quando ocorram.

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