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Juros altos persistem como desafio econômico no Brasil

Juros altos permanecem no Brasil, pressionando empresas e famílias; queda da Selic deve demorar devido a gastos públicos e inflação, impactando investimentos

PRESSÃO - Gabriel Galípolo, presidente do BC: inflação persistente impede queda maior da Selic
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  • O Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano, mas o efeito foi visto como limitado para aliviar endividados e descontente para a economia.
  • A alta de juros é atribuída a gastos do governo e a choques inflacionários externos, como a pressão de preços vindo do petróleo e fertilizantes, agravada pela guerra no Oriente Médio.
  • Economistas apontam que a Selic deve permanecer alta por mais tempo, com possibilidade de queda para 12% ou 13% em 2027, e não em 2026 como sugerido anteriormente.
  • O Federal Reserve manteve os juros dos Estados Unidos em 3,50% a 3,75%, diante de inflação de 3,8% e desemprego de 4,3%, sinalizando dificuldade de cortes neste momento.
  • Medidas fiscais do governo brasileiro, estimadas em cerca de 200 bilhões de reais neste ano, elevam a demanda e a inflação, dificultando a redução rápida dos juros; mais de 80% das famílias estão endividadas.

O Banco Central manteve a Selic em 14,25% ao ano após a decisão do Copom na quarta-feira, 17 de junho. O corte de apenas 0,25 ponto percentual não trouxe alívio aos devedores, mantendo o aperto financeiro para empresas e famílias.

A alta dos juros, associada a gastos públicos elevados, reduz a capacidade de desinflação e pressiona o custo do crédito. Economistas avaliam que a Selic pode cair apenas para 12% ou 13% em 2027, dependendo dos impulsos fiscais.

Além do aperto monetário, o cenário é influenciado pela inflação global, pressionada por custos de petróleo e fertilizantes. O conflito no Oriente Médio e a desaceleração de economias internacionais ajudam a manter as pressões inflacionárias.

Contexto externo

Nos Estados Unidos, o Fed manteve a taxa entre 3,50% e 3,75% na decisão da mesma data, sob influência de inflação alta e mercado de trabalho sólido. O Banco Central Europeu e o Banco do Japão também ajustaram suas taxas recentemente.

No Brasil, a inflação acumula 12 meses em 4,7%, com projeções acima de 5% neste ano. Subsídios fiscais do governo, como isenções de IR e programas habitacionais, elevam a demanda e duram como entrave à queda rápida da Selic.

Impactos econômicos

Mais de 80% das famílias estão endividadas, índice recorde. Recuperação de empresas também registra aumento: recuperação judicial superou 5.600 casos no ano anterior, alta de 24%. O ciclo de juros elevados pressiona inadimplência e investimentos.

Analistas lembram que, com choques externos persistentes, o ajuste fiscal ganha urgência. O governo avalia medidas para reduzir o déficit, visando criar espaço para manobras que incentivem a queda gradual da taxa básica.

Conclusão parcial

O cenário indica que o ambiente de juros altos deve permanecer por tempo, limitando o crescimento econômico. A combinação de políticas fiscais restritivas e choques globais sustenta o custo do crédito e a inflação, pelo menos no curto prazo.

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