- O ministro da Fazenda, Dario Durigan, questiona a atual fórmula do IPCA, dizendo que ela dá peso a itens sem relevância hoje, como streaming e serviços de nuvem.
- A atualização depende da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do IBGE; os resultados da POF 2024-2025 serão divulgados em 27 de novembro, mas não há data definida para usar os dados no IPCA.
- Hoje, serviços de streaming têm peso de 0,08% no IPCA, abaixo de itens como plano de telefonia fixa e TV por assinatura.
- A última revisão da cesta do IPCA ocorreu em 2020, incluindo itens como transportes por aplicativo e streaming, e alterou pesos de habitação, saúde, educação e outros.
- Futuras mudanças devem ampliar o peso de itens como produtos farmacêuticos e apostas esportivas, refletindo novos hábitos de consumo.
Durigan questiona a atualização dos pesos usados no IPCA, índice oficial de inflação, afirmando que o modelo atual valoriza itens que perderam relevância no orçamento familiar. Ele destacu que serviços de streaming e nuvem pesam pouco hoje, mas têm peso maior no cotidiano.
O ministro citou uma desconexão entre a metodologia e os hábitos de consumo. A mudança depende da POF, pesquisa do IBGE que analisa gastos de famílias com renda entre 1 e 40 salários mínimos. O estudo é base para readequar os pesos.
A POF é descrita como cara e demorada, levando cerca de um ano para ficar pronta. O objetivo é entender como as famílias distribuem o orçamento e quanto cada gasto representa na inflação.
Dados sobre o peso dos itens
Atualmente, serviços de streaming figuram com peso de apenas 0,08% no IPCA, abaixo de itens como telefonia fixa (0,21%) e TV por assinatura (0,38%). André Braz, coordenador de índices do Ibre/FGV, ressalta que, se o serviço é comum nos lares, merece atenção maior.
O aperfeiçoamento da fórmula pode impactar o endividamento público. Sem atualização da POF, cresce o risco de subir artificialmente o IPCA, elevando despesas com títulos atrelados à inflação e pressionando a Previdência.
Histórico e mudanças anteriores
A última grande revisão da cesta ocorreu em 2020. Foram retirados itens como locação de DVD, antenas e conserto de aparelhos, enquanto entraram transportes por aplicativo, streaming e conserto de celulares. Os grandes grupos tiveram alterações de peso significativas.
Entre os agrupamentos, habitação (de 12,28% para 15,16%), saúde (11,08% para 13,46%), despesas pessoais (9,19% para 10,6%), comunicação (5,57% para 6,19%) e educação (4,18% para 5,95%) ganharam peso. Transporte e alimentação perderam participação.
Projeções e horizontes
Braz afirma que países desenvolvidos avançam com maior frequência na atualização da POF. O Reino Unido e os EUA já adotam modelos contínuos para monitorar mudanças quase em tempo real, o que contrasta com a realidade brasileira.
Novidades futuras devem ampliar o peso de itens como produtos farmacêuticos, especialmente canetas emagrecedoras, e o segmento de apostas, impulsionado por apostas esportivas. A ideia é refletir melhor tendências modernas no cálculo da inflação.
Observações finais sobre o processo
Especialistas ressaltam que manter a POF com intervalos longos pode gerar distorções no IPCA. A divulgação dos resultados da POF 2024-2025 está marcada para 27 de novembro, mas não há confirmação sobre o momento de incorporar as mudanças ao IPCA.
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