- Teles tentam dividir o crescimento de dados com plataformas grandes como Netflix, Google, TikTok e Meta, diante da expansão da IA.
- Um projeto de lei, defendido pelas plataformas, criaria uma blindagem contra cobrança extra às teles caso o consumo de dados aumente, barrando parcerias comerciais.
- As operadoras dizem que isso impediria investimentos compartilhados nas redes para sustentar a expansão da IA, enquanto as plataformas veem o aumento do tráfego como gerador de receita.
- Fábio Andrade, vice-presidente da Claro, afirmou que o plano de dados não pode ser repassado aos consumidores sob decisão da Anatel, e que o mercado de banda larga está estável há anos.
- Em Brasília, Molon afirmou que o projeto não barra acordos, mas proíbe qualquer cobrança pelo aumento de tráfego gerado pelas plataformas; as teles defendem acordos comerciais como solução para manter redes.
As teles estão buscando dividir o custo do crescimento de dados com as plataformas de conteúdo, em especial a nova onda de inteligência artificial. O objetivo é evitar que o aumento no tráfego gere tarifas adicionais para as operadoras.
No centro da disputa estão acordos de compartilhamento de investimentos nas redes, com plataformas como Netflix, Google, TikTok e Meta defendendo que o crescimento de tráfego seja compensado de forma mútua. As operadoras, por sua vez, exigem participação das plataformas nesse custeio.
O embate ganhou visibilidade em Brasília, em um evento realizado há cerca de duas semanas. O vice-presidente da Claro, Fábio Andrade, criticou publicamente o presidente da Digia, Alessandro Molon, por supostas contradições entre discurso e prática na defesa de acordos de compartilhamento.
Segundo Molon, o projeto de lei em discussão impede qualquer cobrança adicional pelo aumento de tráfego gerado pelas plataformas, não apenas restringindo acordos específicos. A definição legal impede, na prática, acordos de cobrança com base no volume de dados.
As operadoras argumentam que já investem bilhões por ano para manter as redes, estimando cerca de 40 bilhões de reais. Mesmo assim, dizem que os preços de serviços não acompanham a inflação e não houve reajuste de forma generalizada.
Para a Claro, o custo de manter a banda larga avançou mesmo com a redução de tarifas no passado. O executivo comparou planos antigos com os atuais, destacando que o negócio se tornou mais acessível apenas pela expansão da base de assinantes.
A operadora afirma que, para sustentar a infraestrutura frente à IA, é necessário explorar novos modelos de negócio sem repassar integralmente o custo ao consumidor final, que tem contrato direto com as operadoras.
Parcerias
Uma saída em estudo envolve acordos entre operadoras e plataformas para empacotar serviços, com a Claro citando pacotes de streaming incluídos em planos de TV. Em cenários atuais, o custo agregado seria menor que a soma de assinaturas individuais, segundo a empresa.
A avaliação é de que, se o Congresso aprovar o PL 469/2019, o incentivo a esses acordos fica comprometido, pois passaria a haver uma obrigação de um único lado, dificultando parcerias comerciais entre operadoras e plataformas.
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