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Volatilidade do petróleo impulsiona PET reciclado reduzir dependência externa

Volatilidade do petróleo eleva custos e acende debate sobre PET-PCR como hedge de abastecimento e competitividade industrial

Foto: Gerada por IA
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  • A volatilidade do petróleo aumenta os custos da resina virgem usada no PET, afetando contratos e planejamento da indústria brasileira de embalagens.
  • O PET reciclado pós-consumo (PET-PCR) passa a ser visto como estratégia econômica e de resiliência, além de pauta ambiental.
  • O Decreto nº 12.688/2025 estabelece metas de conteúdo reciclado, ampliando a demanda por resinas recicladas.
  • A Cirklo projeta demanda de PET-PCR entre duzentas e duzentas e cinquenta mil toneladas por ano nos primeiros anos; a capacidade prevista é de cento e quinze mil toneladas por ano em 2025, com gargalo na coleta seletiva e logística reversa.
  • Qualidade, rastreabilidade e certificações (Anvisa, FDA) são essenciais para aplicações sensíveis; apenas sessenta e cinco por cento dos municípios têm serviço de coleta seletiva.

A volatilidade no preço do petróleo volta a impactar a cadeia de embalagens plásticas no Brasil. A resina virgem usada no PET tem origem em derivados da commodity, o que eleva custos, contratos e planejamento.

Irineu Bueno Barbosa Junior, CEO da Cirklo, destaca que a instabilidade recente mostra a reciclagem ganhando papel econômico e estratégico, além de ambiental. “A reciclagem não é mais apenas ESG, é hedge financeiro e operacional”, afirma.

O petróleo é a principal matéria-prima das resinas virgens. Tensões geopolíticas podem acender preços e gerar temores de interrupção no abastecimento global, influenciando a indústria brasileira, mesmo com produção local.

No Brasil, custos da matéria-prima, logística, câmbio e fretes internacionais moldam o preço das resinas usadas na indústria nacional, que depende de uma cadeia petroquímica global.

Como o petróleo afeta as embalagens e a importância do PET reciclado

A alta da commodity costuma chegar aos transformadores, fabricantes de embalagens e grandes volumes de PET, impactando principalmente bebidas, alimentos, higiene, limpeza e cosméticos.

Representantes do setor apontam que o impacto começa nas resinas, avança para a indústria de embalagens e pode chegar aos contratos de longo prazo, com variação de repasse de custos ao consumidor.

PET reciclado como alternativa estratégica

O PET reciclado pós-consumo, o PET-PCR, ganha relevância para reduzir a exposição à variação do petróleo, pois se originou do resíduo coletado e processado no país.

A produção depende de coleta seletiva, disponibilidade de material e energia, mas diversifica a matriz de abastecimento, reduzindo a dependência de matérias-primas fósseis.

Para Irineu, o PET-PCR deve ser insumo industrial estratégico, com especificação técnica, rastreabilidade, qualidade e contratos estáveis.

Regulação aumenta pressão por conteúdo reciclado

O Decreto nº 12.688/2025 estabelece metas de conteúdo reciclado em embalagens plásticas, tornando a utilização de resinas recicladas uma necessidade regulatória.

Empresas que já adotam PET-PCR tendem a atender futuras exigências, reduzir riscos de transição e fortalecer compromissos de sustentabilidade.

O decreto também funciona como instrumento para fortalecer a segurança de abastecimento da indústria brasileira em meio à instabilidade internacional.

Capacidade existe, mas coleta ainda é gargalo

A indústria brasileira de reciclagem de PET já tem tecnologia e capacidade para atender a demanda. Projeções da Cirklo apontam entre 200 mil e 250 mil toneladas por ano nos primeiros anos.

A Cirklo encerra 2025 com 115 mil toneladas anuais de capacidade, após expansões em Maceió e Ananindeua, em parceria com a Solar Coca-Cola. O gargalo está na coleta seletiva e logística reversa.

Segundo o IBGE, apenas 60,5% dos municípios possuem serviço de coleta seletiva, restando volume de embalagens que vão para aterros ou descartes inadequados.

Qualidade e rastreabilidade são decisivas

Para alimentos, bebidas e cuidados pessoais, qualidade e rastreabilidade valem mais que nunca. Processos certificados permitem aplicações mais exigentes.

Órgãos como Anvisa e FDA definem critérios para aprovar resinas recicladas em embalagens sensíveis. Compradores devem verificar certificações nos fornecedores.

Reciclagem entra na agenda de competitividade

Ampliar o uso de PET reciclado reduz vulnerabilidades associadas ao petróleo, câmbio, fretes e logística. Uma cadeia de reciclagem mais forte oferece previsibilidade e segurança operacional.

A integração entre consumidores, cooperativas, recicladores e marcas é essencial. A coleta seletiva precisa avançar para sustentar a demanda e o abastecimento.

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