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CEO do Assaí diz que compraria o Extra de novo

CEO do Assaí afirma que compraria o Extra novamente; Selic elevada faz a companhia reduzir ritmo de lojas e priorizar desalavancagem

Belmiro Gomes, CEO do Assaí: “O plano era abrir 15 lojas por ano, mas para baixar a dívida vamos abrir 5 unidades neste ano” (Germano Lüders/Divulgação)
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  • Belmiro Gomes, CEO do Assaí, afirma que repetiria a compra e reforma dos 66 pontos do Extra, conclusão que manteria mesmo sabendo como seria a trajetória dos juros, mas reorganizaria a operação quanto à correção.
  • A aquisição, anunciada em 2021, consumiu cerca de R$ 7 bilhões e mudou a estratégia da empresa, abrindo caminho para expansão em áreas centrais e de maior renda.
  • Com o cenário atual de juros, o Assaí reduz o ritmo de expansão e prioriza desalavancagem, confiando na geração de caixa para diminuir a dívida.
  • Para este ano, o plano de abrir quinze lojas caiu para cinco unidades, com foco em reduzir o endividamento.
  • A companhia aposta em novas frentes de crescimento: farmácias, serviços financeiros, canais digitais e postos de combustíveis, além de ampliar marcas próprias.

Em entrevista ao programa De Frente com CEO, da EXAME, Belmiro Gomes revela que manteria a aquisição dos 66 supermercados Extra, anunciada em 2021, mesmo com o cenário de juros atual. O montante total girou em torno de R$ 7 bilhões, segundo o executivo.

A mudança no custo de capital, impulsionada pela Selic, levou o Assaí a repensar a estratégia para reduzir a dívida. Belmiro afirma que, se soubesse o ritmo da inflação dos juros, teria estruturado a operação de forma diferente, especialmente na correção cambial.

Aposta que mudou o Assaí

A compra permitiu ao grupo ampliar atuação em áreas centrais e atender clientes de classes sociais mais elevadas. Pontos em Congonhas, Santos e Mooca, entre outros, ganharam maior visibilidade e restrição de novas plantas nessas regiões.

Segundo o executivo, alguns ativos adquiridos são praticamente impossíveis de replicar, o que justificou a aposta de longo prazo da companhia na integração dos pontos ao mix de lojas já existentes.

Séries de juros e estratégia de desalavancagem

A previsão inicial era de juros em torno de 7% ao ano; o cenário passou a exigir foco na redução da dívida líquida. Hoje, o Assaí gasta cerca de R$ 7 milhões por dia em despesas financeiras, incluindo feriados, mas registrou queda de R$ 1,2 bilhão na dívida em 2025.

A desaceleração dos investimentos ganhou força para manter o equilíbrio financeiro, sem abandonar completamente planos de expansão. A empresa prioriza a desalavancagem e a geração de caixa, com capacidade de manter operações estáveis.

Novos rumos de crescimento para 2026

Mesmo com menos lojas abertas, o grupo aposta em áreas além do varejo tradicional. A primeira farmácia deve abrir em julho, em São Paulo, com meta de chegar a mais de 200 unidades no setor nos próximos anos. O objetivo é ampliar participação em saúde e bem-estar.

Outros fronts incluem serviços financeiros, com possíveis maquininhas de cartão e programas de cashback, além de fortalecimento de canais digitais. A parceria com marketplaces também segue como eixo de expansão.

A rede também avalia postos de combustíveis, considerando o grande fluxo de veículos mensalmente, além de marcas próprias, que representam 23% no setor alimentício em mercados maduros, mas giram menos no Brasil.

Hoje, o Assaí fatura cerca de R$ 84,7 bilhões, tem ~90 mil funcionários e atende mais de 40 milhões de clientes mensais. Belmiro ressalta que a aquisição do Extra ficará marcada pela soma de ativos, não apenas pelos custos de juros.

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