Em Alta Copa do Mundo NotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Envelhecimento e queda da natalidade ameaçam o crescimento brasileiro

Envelhecimento e baixa natalidade reduzem a força de trabalho e elevam gastos públicos, exigindo políticas de longo prazo para manter o crescimento

Baixa natalidade e envelhecimento reduzem força de trabalho e desafiam crescimento econômico e sustentabilidade fiscal do Brasil. (Foto: Tony Winston/Agência Brasília)
0:00
Carregando...
0:00
  • A queda da natalidade, associada ao envelhecimento da população, aumenta gastos com previdência, saúde e assistência social, pressionando as contas públicas.
  • O fim do bônus demográfico leva a um debate sobre como ampliar a população economicamente ativa para sustentar o crescimento no longo prazo.
  • A produtividade do Brasil é baixa: a Organização Internacional do Trabalho coloca o país em 94º lugar entre 184 países; a produtividade é de cerca de US$ 21,1 por hora trabalhada.
  • Políticas públicas podem ajudar, mas não revertêm sozinho a tendência, já que decisões de ter filhos dependem de fatores culturais e subjetivos.
  • Medidas estruturais de longo prazo — como creches, educação, saúde e redes de cuidado estáveis — são essenciais para alterar a trajetória demográfica.

A baixa natalidade aliada ao rápido envelhecimento da população coloca em xeque o crescimento econômico do Brasil. Com menos jovens no mercado de trabalho e mais idosos, o país deve enfrentar menor produtividade, pressão sobre as contas públicas e potencial estagnação. Especialistas dizem que governos eleitos a partir de 2026 terão de debater como ampliar a população economicamente ativa a longo prazo.

O envelhecimento acentuado, somado à queda de nascimentos, tende a elevar gastos com previdência, saúde e assistência social. A ausência de políticas de apoio às famílias não explica o quadro, mas contribui para agravá-lo ao longo do tempo, segundo analistas ouvidos pela reportagem.

Segundo Pedro Hollanda, doutor em Administração, a combinação de menos nascimentos e envelhecimento acelerado aumenta a pressão sobre sistemas públicos ao mesmo tempo em que se reduz a base de pessoas em idade ativa. O Estado assume funções de cuidado antes desempenhadas pela família, em parte.

Para o sociólogo Marcelo Couto, vínculos familiares mais fracos elevam evasão escolar, baixo desempenho e dificuldades de inserção no mercado de trabalho. Esses efeitos, segundo ele, acabam impactando a produtividade da economia no longo prazo.

A Organización Internacional do Trabalho (OIT) aponta que o Brasil ocupa a 94ª posição em produtividade entre 184 países, o que agrava a transição demográfica. A métrica considera o PIB por hora trabalhada, ajustando pela eficiência em cada país.

Com produtividade por hora de cerca de US$ 21,1, o Brasil fica atrás de Estados Unidos (US$ 81,8) e Irlanda (US$ 164,6). Mesmo comparando horas trabalhadas, o país registra 38,9 horas semanais, acima de várias economias mais produtivas, sinalizando que o desafio é eficiência, não esforço.

Especialistas destacam que políticas públicas têm alcance limitado para inverter a tendência demográfica por si só. Fatores culturais e subjetivos, como o avanço do individualismo, influenciam a decisão de ter filhos, independentemente de incentivos financeiros.

Ainda assim, há espaço para atuação governamental em reduzir barreiras práticas para formar famílias. Couto aponta que existe um gap entre fecundidade desejada e realizada, ligado a custos de criação, instabilidade profissional e falta de redes de apoio.

Hollanda cita impactos indiretos da mudança demográfica. Medidas como teletrabalho aparecem como instrumento indireto para aumentar a intenção de ter filhos, segundo estudos recentes, ajudando a facilitar o cuidado com a família.

Para obter resultados consistentes, os especialistas defendem políticas de Estado com horizonte de longo prazo. É necessário investir em creches, educação, saúde e serviços de cuidado, mantendo redes de apoio estáveis e previsíveis.

Couto ressalta que programas pontuais podem gerar efeitos marginais. A decisão de ter filhos é de longo prazo; ações de curto prazo precisam deixar clareza sobre o que acontecerá daqui a anos, sem depender de medidas temporárias.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais